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Trump e a imprensa, um espetáculo no qual todos ganham

27/04/2017 13h04

Washington, 27 Abr 2017 (AFP) - Donald Trump e os meios de comunicação americanos ainda estão em guerra depois de seus primeiros 100 dias no governo, mas as duas partes se beneficiam claramente das hostilidades entre o magnata e o que ele considera a indústria de "notícias falsas".

A decisão do presidente de não participar do tradicional jantar dos correspondentes na Casa Branca, que será realizado no sábado, mostra a que ponto chegou a relação entre o presidente e a imprensa, classificada por seu assessor Steve Bannon de "oposição".

No entanto, analistas afirmam que, enquanto Trump usa a imprensa para desviar a atenção das más notícias, os próprios meios de comunicação se beneficiam de um aumento no número de leitores e espectadores em busca de alguma informação confiável sobre o governo, ou em busca de uma pequena dose diária de mais "trumpismo".

"Trump foi a galinha dos ovos de ouro para a imprensa", disse Tobe Berkovitz, um ex-consultor político que agora é professor de comunicação na Universidade de Boston.

De um lado, Trump tem um bode expiatório a quem pode culpar por seus problemas, disse o analista, mas "as duas partes estão bastante felizes com este arranjo".

Jornais como o New York Times experimentaram um crescimento em sua circulação desde a vitória de Trump nas eleições de novembro passado, e o mesmo ocorreu com o número de espectadores dos canais de notícias a cabo.

"Uma pessoa pode atribuir muito disso a Trump", disse Dan Kennedy, professor de jornalismo na Universidade do Nordeste.

A pergunta-chave, no entanto, é se este aumento da audiência e das assinaturas é um fenômeno temporário ou indicativo de uma nova tendência.

"Pode terminar sendo mais sustentável do que pensamos ainda que Trump saia de cena", afirmou Kennedy. "Há muita preocupação com as notícias falsas e todo o lixo que é compartilhado no Facebook", afirmou, então "o que vemos é uma busca de qualidade".

- Um pouco de espetáculo -A aparente má relação entre Trump e o corpo de imprensa em Washington está em aberto contraste com as relações que seu antecessor, Barack Obama, mantinha com os jornalistas.

Obama nunca faltou ao jantar anual dos correspondentes da Casa Branca.

Trump, por sua vez, se refere ao New York Times como "este jornal fracassado" e não perde a oportunidade de criticar asperamente as redes de notícias.

E, no entanto, o presidente garantiu entrevistas com praticamente todas as redes de televisão, levando analistas a afirmar que esta hostilidade não é o que parece.

"É um pouco de espetáculo", disse Kennedy.

Segundo ele, Trump "telefona pessoalmente a vários dos jornalistas a quem humilha publicamente".

Os repórteres Ben Schreckinger e Hadas Gold, do site especializado Politico, entrevistaram mais de 30 jornalistas credenciados na Casa Branca e chegaram à conclusão de que a "guerra" não é tão grande.

De acordo com os dois repórteres, o presidente mantém uma "guerra falsa" com a imprensa, ao mesmo tempo em que a equipe de Trump mantém relações ativas com jornalistas.

Ari Fleischer, que foi porta-voz do ex-presidente George W. Bush, afirmou que Trump parece ter tomado a iniciativa de atacar a imprensa porque esta postura produz ganhos políticos.

No mesmo evento em que Fleischer fez estas declarações, o repórter Charlie Spiering, do site fanaticamente favorável a Trump Breitbart News, expressou a mesma opinião.

Trump, disse Spiering, não realiza seus ataques "para denegrir a imprensa", mas porque "isso é muito popular entre seus eleitores. E seus eleitores amam as manchetes que isso gera".

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