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Músico indie Ben Lee lança álbum que explica o Islã na era Trump

04/03/2017 14h49

Nova York, 4 Mar 2017 (AFP) - O músico indie Ben Lee acredita em suas habilidades para animar os Estados Unidos de Donald Trump a entender o Islã, em seu novo material fonográfico que acaba de ser lançado.

Aborrecido com o tratamento que o presidente americano dá aos muçulmanos, o ex-líder do grupo de rock indie Noise Addict, gravou um álbum de músicas sobre o Islã, destinado especialmente às crianças, e com o qual espera obter um grande impacto.

Com arranjos musicais alegres, que facilmente poderiam ser ouvidos nas salas de aula de um jardim de infância, os temas de "Ben Lee Sings Songs About Islam for the Whole Family" ("Ben Lee canta canções sobre o Islã para a toda a família") explicam as crenças da religião, fazendo referência ao Corão.

Lee, um australiano que vive em Los Angeles, diz ter conheceu o poder das canções através de sua carreira e observando sua filha.

"Essa é a beleza da canção pop, você pode dizer qualquer coisa e se disser em 2,5 minutos com um coro fácil de recordar, você converte essa coisa em algo digerível", afirma o artista de 38 anos.

"Acho que estou num ponto da minha vida em que começo a me dar conta de que qualquer efeito duradouro que você vai ter na raça humana será através da influência que puder ter na geração seguinte", explicou, rindo.

Lee doará todo do dinheiro das vendas do álbum para a organização American Civil Liberties Union, que enfrenta Trump especialmente em termos de direitos civis, como a proibição feita a cidadãos de sete países de maioria muçulmana de entrar nos Estados Unidos, medida suspensa pela justiça.

Mas Lee não vê seu álbum como algo político.

O músico, que tem formação judaica, indica que alcançou a espiritualidade em uma "bifurcação do caminho, na qual já não podia aceitar as religiões de forma literal, apesar de valorizá-las".

"Todas estas religiões são como a mitologia grega ou Shakespeare. Fornecem uma grande compreensão da humanidade".

- Respeito total -Lee diz que leu muito o Corão e estudou o sofismo, um movimento místico do Islã que aceita a música como uma parte espiritual.

As escolas mais conservadoras do Islã, como os wahabitas que imperam na Arábia Saudita, não veem com bons olhos a música na religião.

Lee dice que tenta ser muito respeitoso com seu álbum.

"Não estou descrevendo imagens de Maomé", afirma, em referência à proibição do Islã de representar seu profeta.

"Estou cantando canções. Nunca quis que isso fosse percebido como um insulto".

O músico trabalha com cinco álbuns separados sobre as principais religiões - budista, cristã, hinduísta, muçulmana e judia -, mas diz que apressou a saída do recente álbum devido aos atuais eventos.

Lee - que colaborou com outros roqueiros alternativos como Liz Phair e Dinosaur Jr., de Lou Barlow - contou em um álbum de 2013 suas experiências com a ayahuasca, a bebida psicodélica dos xamãs amazônicos.

Em um clima político que alguns descrevem como "pós-verdade", Lee diz que seu olhar sobre a religião é ainda mais oportuna.

"Todas as religiões, não importa que sejam mal interpretadas e literalizadas, estão centradas na busca da verdade", concluiu.

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