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'Pornografia de vingança' afeta milhões de americanos, aponta estudo

13/12/2016 17h35

Washington, 13 dez 2016 (AFP) - Pode ser um amante abandonado procurando vingança após o término. Ou então um hacker, amador ou profissional, publicando imagens íntimas de uma celebridade.

A chamada "pornografia de vingança" - a publicação de nus, ou de fotos explícitas sem o consentimento da pessoa retratada - afeta um em cada 25 americanos, de acordo com um novo estudo sobre o fenômeno.

A questão chamou a atenção do público em 2014, quando fotos de nus de celebridades, entre elas a atriz Jennifer Lawrence e a modelo Kate Upton, foram postadas por um hacker na Internet, no escândalo que ficou conhecido como "Celebgate".

A principal autora do estudo, Amanda Lenhart, do Data & Society Research Institute, disse que esta foi a primeira pesquisa nacional sobre pornografia de vingança, ou não consensual.

Segundo o estudo, 2% da população tiveram uma foto, ou vídeo, explícitos postado na Internet sem sua permissão, e muitos outros enfrentaram tal ameaça. No total, 4% foram vítimas de publicações de imagens, ou de ameaças, o que equivale a cerca de 10,4 milhões de americanos, de acordo com a pesquisa.

"A pornografia não consensual pode ter um impacto devastador e duradouro sobre as vítimas. Por isso, é essencial que entendamos o quão comum isso é e quem é afetado", disse Lenhart.

"Mesmo que as imagens não cheguem a ser publicadas, os agressores podem usar ameaças como um método de controle, ou de intimidação das vítimas", acrescentou.

Em alguns casos de pornografia de vingança, imagens explícitas foram roubadas de servidores privados on-line, ou na nuvem, enquanto outras vítimas foram fotografadas, ou filmadas, secreta, ou forçosamente.

Atrizes, modelos e atletas que foram vítimas da pornografia da vingança no "Celebgate" falaram da angústia emocional que experimentaram.

"Só porque eu sou uma figura pública, só porque eu sou uma atriz, não significa que eu pedi isso", disse Lawrence, em uma entrevista após o incidente.

"Não é um escândalo. É um crime sexual, é uma agressão sexual", denunciou.

Os jovens de entre 15 e 29 anos são mais propensos a relatar terem sido ameaçados, e há mais mulheres afetadas do que homens: uma em cada 10 mulheres com menos de 30 anos disse ter sofrido ameaças desse tipo.

Entre os internautas que se identificam como lésbicas, gays, ou bissexuais, 15% disseram que alguém ameaçou compartilhar fotos, ou vídeos, deles nus, ou quase nus.

Homens também são vítimas"É importante que reconheçamos que os homens também são vítimas da pornografia não consensual", advertiu Lenhart.

"As vítimas do sexo masculino são muitas vezes invisíveis, mas espero que este relatório nos desafie a pensar de forma diferente", acrescentou.

Advogados de vítimas pediram leis para punir os autores de pornografia de vingança, mas defensores das liberdades civis argumentam que essas medidas poderiam violar a liberdade de expressão.

De acordo com o estudo, 30 estados americanos aprovaram legislações nos últimos três anos para definir e criminalizar a pornografia de vingança.

O relatório se baseou em um levantamento de 3.002 usuários americanos de Internet, de 15 anos ou mais, entre 17 de maio e 31 de julho de 2016. A margem de erro foi estimada em dois pontos percentuais.

Lenhart comentou que não há estudos anteriores comparáveis que mostrem uma tendência, mas observou que a pornografia de vingança "tem sido ajudada pelo desenvolvimento de câmeras digitais, smartphones e mídias sociais".

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