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Tommy Hilfiger e o contratempo de 'estar muito na moda'

21/11/2016 17h23

Miami, 21 Nov 2016 (AFP) - Estar muito na moda pode ser negativo para os negócios, afirmou o ícone fashion Tommy Hilfiger em entrevista, na qual falou da reinvenção de sua marca após a enorme fama que ganhou nos anos 1990.

Vestindo calça vermelha, camisa branca com listras azuis e sapatos esportivos brancos - em perfeita sintonia com sua logo -, o designer de 65 anos conversou com a AFP sobre a evolução de sua marca e seu livro de memórias, "American Dreamer" (Sonhador americano, em tradução livre), durante a Feira do Livro do Miami Dade College.

AFP: Um dos pontos de inflexão da marca Tommy Hilfiger ocorreu nos anos 1990, quando artistas do hip hop começaram a usar sua roupa.

Tommy Hilfiger: Sim, comecei a produzir roupas de tipo esportivo, com grandes números e logos enormes, e os rappers começaram a usá-la. Snoop Dogg, Puff Daddy, Jay Z. O negócio cresceu muito por isso, até que a marca ficou extremamente grande.

O que ocorre nesses casos é que, quando todo mundo usa a mesma coisa, os primeiros usuários já não querem mais porque a veem em todas as partes. Foi o que aconteceu recentemente com a Abercrombie & Fitch e, inclusive, com a Gap.

Assim, tivemos que nos reinventar até que o negócio voltou a decolar.

AFP: Também por esses anos circulou um boato de que você teria dito a Oprah Winfrey que sua roupa não era pensada para ser comprada pelas minorias. Como isso te afetou?

TH: É uma mentira, é falso, foi algo feito para prejudicar a mim e ao meu negócio. Disseram que eu, no programa da Oprah Winfrey, falei que se soubesse que as pessoas de cor iriam usar a minha roupa, não teria sido designer.

Mas o negócio continuou seguindo firme e os números não foram afetados, ainda que eu tenha ficado muito mal pessoalmente. Eu nunca teria feito roupas acessíveis para todos se não quisesse que todos usassem as minhas roupas!

AFP: Conte-nos sobre seu início, quando abriu a pequena loja "People's Place" no norte do estado de Nova York.

TH: Quando era adolescente, não sabia o que fazer da vida. Gostava de rock e das roupas que os roqueiros usavam, então abri uma pequena loja com 150 dólares que ganhei trabalhando em um posto de gasolina.

Comecei com 20 pares de jeans em uma loja pequena e depois expandi para os campi universitários.

Era 1969 e acontecia uma revolução na moda e na música. Foi o verão de Woodstock, Jimmy Hendrix e The Who. E todos esses músicos usavam roupas incríveis: calças baixas, faixas na cabeça, colares de contas... Era a moda hippie. E eu quis ser parte desse movimento.

AFP: E quando evoluiu desse estilo hippie para o clássico americano atual?

TH: A partir do início dos anos 1980, porque queria criar uma roupa que todos pudessem usar. Sabia que se redesenhava os clássicos americanos e surgiam clássicos novos, e assim eu faria um grande negócio e ao mesmo tempo me divertiria muito.

Logo que escolhi esse estilo com o qual cresci, de camisas de botões e calças de pregas, esportiva, casual, o redesenhei para que ficasse novo e leve.

AFP: Mas seu grande momento não chegou até 1986, graças a um anúncio luminoso que o fez ficar famoso.

TH: Sim, não tinha dinheiro para fazer publicidade, mas conheci o gênio George Lois, que me disse: "Se você anunciar da mesma maneira que os outros da indústria da moda fazem, levará 20 anos para construir uma marca. Tem que fazer algo diferente, perturbador, fora do padrão". E sua ideia foi me comparar, um desconhecido, com três grandes designers do momento: Ralph Lauren, Calvin Klein e Perry Ellis.

Quando colocaram o anúncio na Times Square de Nova York, havia uma lista dos "Quatro grandes designers americanos", e eu era o quarto. As pessoas falavam: "Quem é esse?"; "Quem ele pensa que é?"; e depois: "Mas como será a sua roupa?". E todos foram ver as minhas roupas.

Você tem que quebrar os padrões, fazer algo diferente. Só assim vai alcançar o sucesso.

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