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Breitbart, o portal de extrema-direita pró-Trump faz planos para o futuro

16/11/2016 16h38

Washington, 16 Nov 2016 (AFP) - O portal de extrema-direita Breitbart ajudou Donald Trump a chegar à Casa Branca, publicando opiniões sem filtro e manchetes incendiárias que puseram fogo na imprensa tradicional e em analistas nos Estados Unidos.

Agora parece querer levar este movimento para uma escala global.

Surgido de uma comunidade de blogueiros conservadores, o Breitbart News Network refletiu o tom da campanha de Trump, com publicações provocativas, às vezes imprecisas, que desataram críticas por serem consideradas racistas, xenófobas ou coisa pior.

Seu presidente, Steve Bannon, foi nomeado no fim de semana o principal estrategista e assessor de Trump.

O Breitbart superou muitos veículos de comunicação até se tornar o quarto mais seguido pelos internautas na noite das eleições, segundo o grupo de análises NewsWhip.

O portal, criado pelo falecido comentarista conservador Andrew Breitbart, já destacou sua intenção de expandir sua marca globalmente, abrindo filiais na França e na Alemanha, depois de ter desembarcado no Reino Unido, onde apoiou o Brexit.

Sua marca registrada são títulos insolentes que misturam opinião com fatos às vezes um pouco forçados.

O Breitbart anunciou, por exemplo, que "Os direitos para os homossexuais nos tornaram mais burros, é tempo de voltar a entrar no armário", "As contratações para postos em tecnologia não são tendenciosas: as mulheres simplesmente são péssimas nas entrevistas" ou "A ciência comprova: brincar com a obesidade funciona".

O site esteve na lista do "pior jornalismo", criada pela Columbia Journalism Review de 2014 por ter informado equivocadamente que a procuradora-geral Loretta Lynch tinha sido advogada de Bill Clinton e se recusar a corrigir a informação explicando que tinha se confundido com outra advogada com o mesmo nome.

Bem-vindo à FrançaBreitbart não respondeu ao pedido de entrevista, nem às perguntas da AFP sobre seu plano de expansão.

Mas uma das maiores representantes do partido de extrema-direita francês, a Frente Nacional (FN), comemorou o projeto de expansão do grupo e de apoiar a campanha à Presidência do partido. As eleições presidenciais serão realizadas na França entre o fim de abril e o começo de maio.

"Todos os meios alternativos são geralmente positivos. Donald Trump é uma prova disso. Fazem parte das ferramentas úteis", disse Marion Marechal-Le Pen, sobrinha de Marine, líder do partido.

Colocar o diretor do Breitbart na Casa Branca pode gerar algumas situações incômodas e potenciais conflitos de interesse, segundo alguns analistas.

O porta-voz do Breitbart, Kurt Bardella, que renunciou há alguns meses, disse ao jornal The New York Times, que o papel de Bannon fará com que o portal se transforme "no mais parecido que teremos a uma empresa de notícias estatal".

Angelo Carusone, da associação de esquerda Media Matters for America, prevê que o papel de Bannon dificultará a postura diplomática do governo Trump se Breitbart "apoiar os movimentos estrangeiros, enquanto o governo se compromete com estes governos".

Sob o disfarce da mídiaJeff Jarvis, professor da City University de Nova York e blogueiro em meios de comunicação, descreveu no mês passado o Breitbart como um dos muitos "movimentos políticos que se disfarçam de meios de comunicação".

Para Carusone, o portal parece estar "desafiando as estruturas de poder globais e a forma de fazer isto é pressionando as ansiedades raciais".

Embora o Breitbart se apresente como uma organização de mídia, "não tem padrões editoriais nem práticas jornalísticas notáveis. Funciona como um organismo político", disse Carusone.

Bardella deixou este ano a organização porque, afirmou, sob a direção de Bannon, o site se tornou "uma máquina propagandista de fato de Donald Trump" e cheia da "retórica do ódio".

"Steve geriu o site e controlou o conteúdo como um ditador, não só limitando que seus jornalistas se expressem, mas também mudando intencionalmente a narrativa para criar veneno, jogando com os medos dos leitores", escreveu Bardella em sua coluna no jornal The Hill.

O Breitbart, por sua vez, contra os críticos que alegam que o site é vinculado a extremistas e ameaçou processar um meio de comunicação que o acusou de ser "um site de nacionalismo branco". Também rechaçou as acusações de que Bannon é anti-semita.

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