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No Irã, Academia da Língua Persa luta contra ocidentalização do idioma

20/08/2016 10h58

A Academia da Língua e Literatura Persa se propôs proteger o idioma das palavras estrangeiras, e os "Nutella Bars" são o seu principal alvo.

Nos últimos meses, os bares Nutella ("Nutella Bars"), uma popular rede de cafeterias que oferecem crepes e waffles recheados com esse creme de avelãs e cacau, se multiplicaram em Teerã.

Teoricamente, o uso de palavras estrangeiras é proibido nos comércios.

"Infelizmente, lugares chamados Nutella Bar têm se espalhado ultimamente em Teerã", escreveu o presidente da Academia da Língua e Literatura Persa, Golamali Hadad Adel, em uma carta enviada à polícia.

Estes estabelecimentos servem "pão especial (em referência aos crepes e waffles) com chocolate e sorvete", razão pela qual a academia propõe batizá-los 'nane dagh chocolate dagh' (pão quente, chocolate quente), acrescentou.

Os responsáveis pelos comércios se viram obrigados a retirar os letreiros "Nutella Bar", mas não está claro se eles vão adotar a proposta da academia.

Um deles, por exemplo, preferiu utilizar o nome "Nubella Art", ou seja, as mesmas letras de "Nutella Bar" em ordem diferente.

Há vários anos, a academia propõe com certa frequência nomes em persa para lutar contra a influência do inglês, mas nem sempre tem sucesso.

Em vez da palavra "helicóptero", por exemplo, cada vez mais pessoas utilizam "balgard", que significa "asa giratória" em persa.

Mas quase ninguém, além da televisão pública e da Administração, usa "durnegar" (receptor de mensagem distante) em vez de "fax", nem "rayaneh" (máquina de organização) em vez de "computer" - computador em inglês.

Séculos de pressão, embora legalmente os comércios não tenham direito de usar nomes estrangeiros, essa norma é amplamente violada, e os recém-chegados muitas vezes se surpreendem com a quantidade de palavras em inglês que aparecem ao lado do persa em espaços públicos - desde placas de rua e outdoors até fachadas de lojas.

Considerando o grande número de lojas sem licença de marcas ocidentais como Levi's, Apple e IKEA em cidades iranianas - que operam na república islâmica isolada sem permissão das empresas oficiais - não está claro por que os Nutella Bar são o alvo da Academia.

Alguns especialistas sugerem, porém, que a palavra "bar" pode ser parte do problema, em um país onde o álcool é ilegal.

"O persa tem estado sob pressão contínua de influências estrangeiras, principalmente do árabe, há séculos", afirma à AFP Mohamad Ali Zamani, professor de história da Universidade Kharazmi em Teerã.

"Às vezes, suas decisões não são cuidadosamente consideradas (...), mas a Academia está buscando preservar a criatividade do nosso idioma", acrescenta.

Com a conquista muçulmana do século VII, os iranianos adotaram o alfabeto árabe, mas preservaram sua língua indo-europeia, o persa, principalmente graças ao poeta Ferdowsi, do século X, que usou apenas palavras em persa nos 60.000 versos do seu livro "Shahnameh" (Livro dos reis).

A Academia nasceu nos anos 1920, quando o rei Reza Shah, fundador da dinastia Pahlavi (derrocada em 1979 com a revolução islâmica), ordenou a substituição de muitas palavras árabes e francesas que eram usadas na época.

Depois da revolução islâmica de 1979, as palavras árabes se tornaram mais aceitas oficialmente, com os novos líderes religiosos do país inserindo com orgulho a linguagem do Alcorão nos seus discursos.

"A luta contra a ocidentalização da língua tem raízes históricas profundas", afirma Zamani.

"É essencial preservar a língua persa pela sua riqueza histórica e pelo tesouro da sua literatura".

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