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Ernst Neizvestny, escultor que peitou líder soviético, morre aos 91 anos

Alexander Demianchuk/Reuters
O escultor Ernst Neizvestny, nascido na União Soviética e naturalizado americano Imagem: Alexander Demianchuk/Reuters

Em Moscou (Rússia)

10/08/2016 18h07

O escultor russo-americano Ernst Neizvestny, conhecido pelas suas obras monumentais e pela sua célebre briga com o líder soviético Nikita Kruschev - cuja tumba construiria mais tarde -, morreu na terça-feira em Nova York, aos 91 anos.

A morte do artista, nascido na União Soviética (URSS) e naturalizado americano, foi anunciada na quarta-feira por um jornalista russo que mora nos Estados Unidos, Oleg Sulkin, e mais tarde confirmada pelas autoridades russas.

"Era considerado, de maneira justa, como um dos melhores escultores contemporâneos. Sua morte é uma perda irreparável para a cultura", afirmou o Kremlin em um comunicado.

Ernst Neizvestny ficou famoso por suas esculturas e por ter enfrentado Kruschev em uma cena memorável.


Em 1962, enquanto o escultor inaugurava uma exposição de arte contemporânea, o dirigente soviético qualificou os artistas presentes como "degenerados" e afirmou que sua arte era uma "merda".

Neizvestny, condecorado por uma conduta heroica durante a Segunda Guerra Mundial, respondeu a Kruschev que "não tinha medo de ameaças" e propôs explicar-lhe sua arte.

O líder soviético rejeitou a ideia e declarou que o artista tinha desperdiçado materiais que poderiam ter sido utilizados na indústria soviética.

Em seguida, lhe recomendou abandonar a União Soviética. Depois disso, a poderosa União de Artistas expulsou Neizvestny de suas fileiras.

Apesar de tudo, o líder, que em 1956 tinha denunciado os crimes de Stalin, e o escultor chegaram a estabelecer, mais tarde, uma relação inesperada.

"Você é uma pessoa interessante. Tens o diabo dentro de ti, mas também um anjo em alguma parte", disse Nikita Kruschev ao artista, segundo declarou este último em uma entrevista em 1979.


"Apesar da atmosfera de medo, era fácil falar com ele", disse então o escultor. "Kruschev era muito direto, o que me permitia-lhe responder também diretamente".

Em 1971, quando morreu Kruschev, que tinha deixado o poder em 1964, a família do ex-líder pediu ao artista que esculpisse a sua tumba.

Em 1976, quando Leónidas Breznev governava na União Soviética, o escultor abandonou a URSS alegando "desacordos estéticos com o regime". Mudou-se para a Suíça e, um ano depois, para os Estados Unidos.

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