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WikiLeaks: situação de Assange pode piorar com Hillary na presidência

19/05/2016 13h14

Cannes, França, 19 Mai 2016 (AFP) - A situação de Julian Assange, o fundador do WikiLeaks que no próximo mês completará quatro anos confinado na embaixada do Equador em Londres, pode piorar se Hillary Clinton chegar à Casa Branca, disse nesta quinta-feira Jacob Appelbaum, colaborador chave da organização.

Appelbaum fez esta declaração após a estreia mundial em Cannes do documentário "Risk", da diretora e jornalista Laura Poitras, que acompanha Assange desde o início dos vazamento do WikiLeaks.

"Tive uma reunião há um bom tempo com um funcionário de alto escalão do gabinete de Hillary Clinton, quando ela era secretária de Estado, e ele me deixou claro que Hillary não gostava de Julian e de mim", disse Appelbaum, colaborador chave do WikiLeaks e especialista em segurança informática.

Se Hillary Clinton chegar à Casa Branca "a situação pode piorar", acrescentou Appelbaum, que não retorna aos Estados Unidos há três anos, seguindo o conselho de seus advogados.

O documentário, construído em capítulos, mostra o WikiLeaks desde 2010, quando esta organização fundada por Julian Assange publicou na internet documentos classificados que revelavam supostos abusos cometidos pelo exército americano no Afeganistão e no Iraque.

A câmera de Poitras também acompanha a batalha de Assange para evitar ser extraditado à Suécia, que em 2010 emitiu uma ordem de prisão europeia contra ele no âmbito de uma investigação por suposto estupro, e sua entrada na embaixada do Equador em Londres em 2012, onde pediu asilo para evitar ser extraditado.

O documentário, que foi filmado durante vários anos, fornece alguns detalhes da vida que Assange leva na pequena embaixada sul-americana, localizada no bairro de Knightsbridge, onde tem um quarto dividido em um escritório e uma sala de estar.

Apresenta, por exemplo, o australiano praticando boxe com um treinador ou recebendo a visita de Lady Gaga, que lamenta ao ver suas condições de vida. "Você vive como um estudante!", diz a cantora.

"Assange é um preso político""Julian Assange não vê o sol há quatro anos, sua detenção é ilegal, não há nenhuma acusação contra ele", disse Sarah Harrison, uma das colaboradoras mais próximas de Assange, após a projeção do documentário.

Harrison, que vestia uma camisa com o lema "Liberdade para Assange", lembrou que em fevereiro a ONU considerou que o fundador do WikiLeaks era vítima de uma "detenção arbitrária" e ordenou sua libertação imediata, mas que três meses depois ele ainda segue recluso na legação equatoriana.

"Julian Assange é um preso político, no dia 28 de maio vai cumprir 2.000 dias de privação ilegal de liberdade", acrescentou Harrison.

Poitras, cujo documentário foi acolhido com aplausos, denunciou que "o governo dos Estados Unidos" a "incluiu em 2006 em uma lista de vigilância terrorista", depois de ter rodado um documentário sobre a guerra no Iraque.

Em 2015 processou o governo dos Estados Unidos após ter sido alvo durante anos - afirma - de interrogatórios nas fronteiras.

A cineasta ganhou um Oscar de melhor documentário por "Citizenfour", um longa-metragem sobre Edward Snowden, o ex-consultor da NSA que revelou a existência de um programa americano de vigilância de grande alcance.