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América Latina precisa frear desigualdade no uso da rede móvel

23/02/2016 18h09

Barcelona, 23 Fev 2016 (AFP) - Educar nas novas tecnologias e fomentar os conteúdos locais são as tarefas pendentes do setor de telecomunicações da América Latina, com muitos de seus habitantes desconectados da rede - informaram os organizadores do Congresso Mundial de Telefonia Móvel em Barcelona.

"Há aproximadamente 57% da população da América Latina com cobertura de banda larga, mas não contratam nenhum serviço e a pergunta é: por que?", indagou nesta terça-feira o diretor da GSMA (a associação organizadora do Congresso) para a região, Sebastián Cabello.

Segundo os dados da associação, que reúne 80 operadoras do mundo todo, cerca de 90% da população latino-americana (571 milhões de pessoas) vive em zonas com cobertura de rede 3G, ou 4G, mas apenas 33% (207 milhões de pessoas) contratam esse tipo de serviço.

Chile e Costa Rica são os países com maior penetração, com aproximadamente 50%. No fim da lista, aparecem Equador e Guatemala, com 95% de cobertura de banda larga móvel, mas somente 14% da população usuária.

"Obviamente, ter acesso à Internet não é obrigatório. Mas, no futuro, existirão grandes diferenças entre as pessoas que utilizam a Internet e as que não no que se refere a salários, nível de vida, etc.", alertou.

"A América Latina já é uma das regiões mais desiguais do mundo. Se não há preocupação para fechar essa brecha digital, haverá uma polarização ainda mais significativa em relação a educação, salários, oportunidades de trabalho", acrescentou.

Segundo esse estudo, desenvolvido pela filial GSMA Intelligence, as causas dessa brecha são a falta de conteúdo digital relevante criado na região, o analfabetismo digital de parte da população, que não sabe explorar as capacidades de seus dispositivos, e acessibilidade tanto dos smartphones quanto das tarifas.

"Apenas 30% do conteúdo digital consumido foi criado na região", apontou Cabello.

"É preciso estimular a economia local, fomentar a criação de serviços e aplicativos, que as escolas tenham acesso à Internet e que os professores saibam educar através de dispositivos digitais", insistiu.

A região pôde, pelo menos, superar um de seus maiores desafios do passado, a cobertura. Atualmente, o 3G chega a 90% da população, e o 4G, no qual foram investidos 8 bilhões de dólares desde 2012, a 49%.

"Na América Latina, o 4G decolou neste ano. A taxa de crescimento foi excepcional, com aumentos de 30% e 40% a cada trimestre", apontou o economista da GSMA Intelligence, Paul Castells, acrescentando que, para 2020, a cobertura 4G deve superar os 80%.

Anos de crescimento exponencialApesar dos objetivos pendentes, o setor das telecomunicações na América Latina experimentou um grande crescimento nos últimos anos. Se, em 2010, havia 27 milhões de smartphones na região, no terceiro trimestre de 2015, a cifra subiu para 306. Para 2020, a previsão é de que aumente para 591.

"O (telefone) móvel é um bem aspiracional. Muita gente não pode comprar um computador, um carro, ou uma casa, mas compra um smartphone", explicou Cabello, duvidando de que essa evolução favorável seja freada pela crise que rodeia a economia da região.

Nos próximos cinco anos, prevê-se que a indústria de telefonia móvel crie 300.000 novos postos de trabalho, invista 193 bilhões de dólares e aumente sua contribuição ao Produto Interno Bruto da região de 4,1% para 4,5%.

"O freio econômico é um tema que preocupa a indústria, mas essa indústria investe pensando no longo prazo, não vamos levar todas as antenas e ir embora", brincou Cabello.

"Na América Latina, estamos acostumados a viver dos ciclos. Além disso, o setor continua crescendo. No México, cresceu 5,12%, e a economia apenas 2,5%. O setor impulsiona a economia e continuará assim", garantiu.

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