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Menino que descobre dureza do mundo põe Brasil na disputa pelo Oscar

14/01/2016 18h53

Rio de Janeiro, 14 Jan 2016 (AFP) - Perdido no mundo em busca do pai, um menino desenhado no papel se confronta com a dureza da globalização, da crise econômica e da guerra: "O menino e o mundo", filme de animação do brasileiro Ale Abreu, está na disputa pelo Oscar.

Mas levar a estatueta não será nada fácil. Lançado no Brasil em 2013, "O menino e o mundo" concorre na categoria de melhor filme de animação com a produção milionária "Inside Out", da Pixar, o grande favorito ao prêmio.

"Se fosse outra categoria com uma vertente mais autoral, não duvido que seria o favorito. Acho que nunca vi uma história contada assim no Brasil, nem no mundo", disse à AFP Carlos Heli de Almeida, jornalista e crítico de cinema, após o anúncio dos indicados.

Sem diálogos, excepto por algumas palavras em uma língua inventada, Abreu conta em 80 minutos, com uma música intensa e uma delicada, mas ousada, técnica de colagens e desenhos em lápis de cor e lápis de cera, uma história com um profundo contexto social

O menino se agarra à perna do pai quando é forçado a se despedir dele em uma estação de trem. O homem, de gravata e chapéu na mão, parte para a cidade grande em busca de emprego para nunca mais voltar.

O pequeno, de calças curtas pretas e camisa branca com listras vermelhas, decide partir em busca do homem e, com a foto da família em uma das mãos, deixa sua cidadezinha a bordo do mesmo trem que solta fumaça e levou seu pai para se deparar com um mundo fantástico, dominado por animais-máquina e seres estranhos.

"Ele fica perdido no mundo, mas ao mesmo tempo que está perdido, continua procurando seu pai", contou Abreu em entrevista ao canal Mega TV.

Filme premiadoNão são poucos os prêmios arrebatados por este filme, o primeiro longa-metragem de Abreu: foram 44 no total, inclusive troféus de júri e de público. O de maior destaque foi o Cristal de Longa-metragem no Annecy 2014, o festival de animação mais importante do mundo.

A competição francesa viu neste filme uma "ilustração dos problemas do mundo moderno pelo olhar de um menino".

O cinema brasileiro de animação foi premiado antes, em 2013, com outro Cristal, para "Uma história de amor e fúria", de Luiz Bolognesie.

Abreu se deparou com o "menino" durante uma pesquisa para um documentário de animação sobre a América Latina. Estava na página de um desses muitos cadernos e aí "essa história nos arrastou", lembrou o diretor de 44 anos.

A produção custou 520.000 dólares, um orçamento infinitamente inferior aos 175 milhões do filme da Pixar, que não deixa de ser genial.

Divertida mente"Inside Out" (Pete Docter) humaniza em divertidíssimos personagens as emoções que se passam no cérebro de uma menina de 11 anos.

A alegria (com voz de Amy Poehler), a tristeza (Phyllis Smith), o medo (Bill Hader), a ira (Lewis Black) e a repulsa (Mindy Kaling) fazem o que podem para que a menina se mantenha feliz como sempre, mas novos sentimentos aparecem.

Também concorre na categoria "Shaun the Sheep Movie", que embora aborde uma viagem à cidade grande, tem um tom totalmente diferente ao filme de Abreu.

A curiosa coprodução franco-britânica, dirigida por Mark Burton e Richard Starzak, conta como um grupo de ovelhas (e um cão) vão em busca do dono que, dormindo, sai rolando da fazenda em um trailer.

Também foi indicado "Anomalisa", um filme mais voltado para o público adulto, sobre um homem sem vontade de viver por estar preso à rotina (de Duke Johnson e Charlie Kaufman); e o japonês "When Marnie Was There", sobre uma menina que é enviada para morar com familiares no campo e termina obcecada com uma mansão abandonada e com uma jovem que pode não ser real (Hiromasa Yonebayashi).

Todos os personagens de fantasia têm um encontro marcado em 28 de fevereiro no teatro Dolby de Hollywood. E o menino, talvez sem a camisa de listras, mas com um smoking, dará um tempo na busca pelo pai para retomá-la, quem sabe, com um Oscar debaixo do braço.

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