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Semanário francês 'Le Canard Enchaîné' faz 100 anos sem mudar o estilo

09/09/2015 16h01

Paris, 9 Set 2015 (AFP) - Com uma diagramação antiquada, sem fotos ou publicidade, o semanário francês "Le Canard Enchaîné" é uma publicação rara, mas passados cem anos de seu lançamento, continua cumprindo com seu papel satírico e revelador dos escândalos envolvendo os poderosos na França.

Toda as quartas-feiras, os leitores folheiam avidamente a publicação atrás de revelações comprometedores da classe política e empresarial francesa.

A lista dos escândalos revelados ao longo de seus anos de existência é longa, e um dos mais famosos foi a revelação dos diamantes presenteados pelo ditador centro-africano Jean-Bedel Bokassa ao presidente Valéry Giscard d'Estaing, o que ajudou na vitória de seu adversário socialista François Mitterrand em 1981.

No início dos anos 1980, "Le Canard Enchaîné" desenterrou o passado obscuro do ex-ministro de DeGaulle, Maurice Papon, acusado por crimes contra a Humanidade e condenado em 1998 a 10 anos de prisão por seu papel na deportação de judeus da França durante a Segunda Guerra mundial.

Mistura de jornalismo humorístico e investigativo, o semanário também se caracteriza pela atuação discreta de seus redatores, que assinam seus artigos usando pseudônimos.

Em uma época em que a imprensa compete com atrações multimídia, o semanário faz questão de se manter fiel à versão em papel, com oito páginas em preto e branco e apenas um toque de vermelho na primeira página.

Sem publicidade, ausente nas redes sociais e com uma conta no Twitter de conteúdo limitado, tem um site onde publica apenas sua primeira página.

A primeira versão foi publicada em 10 de setembro de 1915, antes de ser suspensa ao final de cinco edições por seu fundador, Maurice Maréchal, para voltar às bancas no ano seguinte, em nova versão.

O semanário, no entanto, resistiu à crise econômica um pouco melhor que o resto da imprensa francesa. As assinaturas caíram 4,4%, mas a venda nas bancas é de 390.000 exemplares em média, o que mantém as contas no azul.

Uma aposta muito arriscada nos dias de hoje, assinala Laurent Valdiguié, jornalista francês e coautor do livro "Le Vrai Canard".

"Talvez o futuro dê razão a eles, mas ficar ausente do meio digital fará com que em dez anos os jovens já não saibam mais o que é", conclui.

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