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Apresentadora recorda o horror de ver seus amigos mortos no ar

27/08/2015 16h42

Roanoke, Estados Unidos, 27 Ago 2015 (AFP) - Kimberly McBroom, que estava apresentando o noticiário matinal no canal WDBJ quando dois de seus colegas foram mortos ao vivo, afirmou que, mesmo depois de ter ouvido "sons de estouros", não imaginou que se tratasse de um assassinato.

Apenas quando ela e seus colegas ouviram no estúdio uma voz dizer pela transmissão de áudio "três baixas", a realidade de que a repórter Alison Parker e o cinegrafista Adam Ward estavam em apuros veio à tona.

"Eu pensei 'qualquer coisa, menos isso'", declarou McBroom a repórteres em frente à sede da rede de televisão nesta quinta-feira, depois de apresentar seu programa, que incluiu um momento de silêncio em memória de Parker e Ward.

"Eles estavam no lago. Estavam fazendo uma matéria. Não era um confronto; não era uma situação perigosa - era apenas uma matéria", lembrou.

O ataque ocorreu no fim do programa matinal de quarta-feira da WDBJ, quando Parker e Ward faziam uma entrevista ao vivo sobre desenvolvimento do turismo em uma cidade próxima a Roanoke.

Era o tipo de matéria rotineira em emissoras de TV locais nos Estados Unidos em um dia comum.

Parker, de 24 anos, e Ward, de 27, também eram jovens típicos, jornalistas americanos inteligentes e ambiciosos que iniciaram suas carreiras em meios de comunicação de cidades pequenas.

Enquanto faziam a entrevista, Vester Lee Flanagan, de 41 anos, ex-repórter da WDBJ que foi demitido em 2013 e que se autointitulava "um barril de pólvora humano" cheio de raiva, se aproximou.

Com uma arma, ele matou Parker e Ward, feriu a entrevistada e então fugiu de carro. Quando a polícia chegou para capturá-lo, ele deu um tiro em si mesmo, provocando a própria morte horas depois.

No estúdio, McBroom - mãe de duas crianças e que, como muitos funcionários da WDBJ, é procedente da região de Roanoke - apresentava um olhar incrédulo.

'Alguma coisa explodiu?'Ao ouvir os sons de estouros e observar a câmera de Ward cair no chão, McBroom pensou: "Isso é estranho!".

"Alguma coisa explodiu? É uma área rural, então (alguém) poderia ter disparado tiros à distância", ela pensou.

"Dez coisas diferentes passaram pela minha cabeça. Isso (assassinato) não era uma delas", disse.

Mas a transmissão de áudio continuou ativa, e McBroom e seus colegas no estúdio - incluindo a noiva de Ward, Melissa Ott, produtora do programa matinal que estava em seu último dia no trabalho - começaram a temer.

"Estávamos tentando enviar mensagens de texto a eles. 'Ei, o que está acontecendo? O que foi aquilo?'. Não ouvimos nada. Sem resposta", disse.

"Quanto mais tempo ficávamos sem receber resposta deles, mais claro ficava que algo estava muito errado", prosseguiu.

Somente após o fim do noticiário, uma voz, possivelmente a de um policial informando aos seus parceiros, foi ouvida na transmissão de áudio.

"Ouvimos 'três baixas' e então nosso editor da manhã, que acompanhava as notícias, veio, chateado, e me disse", afirmou McBroom.

EsperançaRepentinamente percebendo o que havia ocorrido e com a incredulidade se apoderando de suas emoções, a equipe do noticiário da WDBJ no estúdio se agarrou aos seus princípios jornalísticos.

"Claro que estávamos esperando ouvir a confirmação - quantas pessoas foram baleadas, quão seriamente estão feridas", disse McBroom.

"Tivemos que lidar com isso como jornalistas, mas não podemos tirar conclusões precipitadas. Acho que em nossos corações sabíamos que era ruim", disse.

"Mas até você receber a confirmação você não sabe, mantém a esperança. Cara, estávamos agarrados a ela", prosseguiu.

McBroom admitiu que voltar ao trabalho nesta quinta-feira não foi fácil.

"Eu estava temendo isso porque sabia que seria terrivelmente difícil", contou a apresentadora.

"Mas sabia que precisava vir... Estou tentando fazer meu trabalho, honrar sua memória e fazer o que eles teriam feito", completou.

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