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Europa recorda atrocidades nazistas e exalta seus valores

26/04/2015 15h35

Natzwiller, França, 26 Abr 2015 (AFP) - A Europa recordou neste domingo as atrocidades cometidas pelos nazistas e seus aliados durante a Segunda Guerra Mundial em três atos para comemorar a libertação dos campos de concentração de Bergen-Belsen (Alemanha), Jasenovac (Croácia) e Natzwiller (França).

O "pior pode ainda acontecer e nós sabemos que podemos preveni-lo", alertou o presidente francês François Hollande em visita ao campo de Struthof na Alsácia ao lado de líderes europeus.

"O antissemitismo e o racismo ainda existem, e nós devemos agir (...) para proteger aqueles que podem ainda hoje ser vítimas", ressaltou Hollande, tendo sido a França palco de vários ataques jihadistas.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, e do Parlamento Europeu, Martin Schulz, a primeira-ministra da Letônia, Laimdota Straujuma, que exerce a presidência rotativa da UE, e o secretário-geral do Conselho da Europa, Thorbjørn Jagland, acompanharam Hollande para ilustrar "a unidade da Europa, o reencontro da Europa" em um lugar simbólico, explicou a presidência francesa.

Cerca de 52.000 pessoas foram deportadas para o campo de Natzwiller-Struthof e cerca de 22.000 morreram lá. Os aliados libertaram o campo em 23 de novembro de 1944.

Vários líderes europeus aproveitaram a oportunidade para criticar as mensagens de ódio e exaltar a "cultura democrática" defendida hoje pela Europa.

Em Bergen-Belsen (noroeste da Alemanha), onde mais de 50.000 deportados e 20.000 prisioneiros morreram entre 1941 e 1945, o presidente alemão Joachim Gauck prestou homenagem ao Reino Unido pela libertação do campo em 15 abril de 1945.

Os soldados britânicos ajudaram a restaurar a "humanidade" na Alemanha, disse o presidente diante de 70 sobreviventes do campo.

Depois da guerra, os Aliados foram os "embaixadores da cultura democrática que não buscava a vingança contra o inimigo", acrescentou Gauck. "Eles eram o oposto daqueles alemães que, nos anos anteriores, haviam conquistado, subjugado, escravizado e saqueado a Europa".

A adolescente judia Anna Franck estava entre os mortos de Bergen-Belsen, vítima de tifo. Seu diário se tornou um dos relatos mais icônicos do tratamento reservado aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

O presidente do Congresso Mundial Judaico, Ronald S. Lauder, apelou a uma maior vigilância de todos perante o ressurgimento de ataques antissemitas na Europa e a ascensão de partidos de extrema-direita em alguns países como a Hungria e Grécia.

Em Jasenovac, conhecido como o "Auschwitz croata" centenas de pessoas, incluindo líderes croatas, participaram de uma cerimônia, 70 anos após o desmantelamento do campo aberto pelo regime fascista ustacha, aliados dos nazista na Croácia.

"Os horrores de Jasenovac nos alertam e nos lembram que nunca devemos permitir a discriminação e as perseguições baseadas em diferenças nacionais, confessionais, ideológicas ou sexuais", declarou o presidente do Parlamento croata, Josip Leko.



'Reencontro da Europa'

O primeiro-ministro croata, Zoran Milanovic, afirmou que a Croácia moderna, integrante da União Europeia desde 2013, se distanciou, em sua Constituição, do regime ustacha (pró-nazista) croata da Segunda Guerra Mundial.

"Para mim só havia um exército croata durante a Segunda Guerra Mundial, o dos partidários croatas" que lutaram contra o regime nazista, declarou.

O campo de Jasenovac, que abriu em 1941, foi um dos 80 campos de detenção do regime pró-nazista croata dirigido por Ante Pavelic.

Os historiadores não entram em acordo sobre o número de vítimas mortas no campo, sobretudo sérvios e judeus, mas também antifascistas croatas.

As estimativas vão de 82.000 vítimas, segundo o museu de Jasenovac, a cerca de 700.000, de acordo com fontes sérvias.

O museu do memorial do Holocausto em Washington considera, por sua vez, que 100.000 pessoas morreram no campo.

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