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Húngaro Imre Kertesz, Nobel de Literatura, morre aos 86 anos

31/03/2015 10h50

Budapeste, 31 Mar 2016 (AFP) - O escritor húngaro Imre Kertesz, autor de "Sem Destino" e vencedor do Nobel de Literatura em 2002, morreu nesta quinta-feira aos 86 anos, anunciou sua editora.

Kertesz faleceu durante a madrugada em sua residência de Budapeste após uma longa batalha contra uma doença, afirmou Krisztian Nyary, diretor da editora Magveto.

O Mal de Parkinson de que padecia o levou, em 2013, a deixar Berlim, onde vivia desde 2001, e voltar para a Hungria.

Nascido em 9 de novembro de 1929, este judeu sobrevivente dos campos de extermínio nazistas foi o primeiro autor de língua húngara a receber o Nobel.

"Kertesz foi um dos escritores húngaros mais influentes do século XX, não apenas por sua obra, mas também por seu pensamento e sua visão do mundo. Continuará sendo uma grande influência na literatura nos próximos anos", disse Nyary.

O autor foi deportado em 1944 a Auschwitz-Birkenau (Polônia), antes de ser transferido a Buchenwald (Alemanha) em 1945.

"Em Auschwitz, eu era um menino. Apenas da ditadura comunista compreendi o que havia acontecido em Auschwitz", afirmou ao receber o Nobel.

"Essa ditadura comunista jamais apreciou meus livros porque percebia que havia algo de explosivo neles: um apelo contra todas as ditaduras, e não apenas contra a ditadura nazista", explicou.

Kertész trabalhou como jornalista em Budapeste, depois da guerra, mas quando o jornal teve que adotar a linha comunista, ele foi marginalizado pelo regime.

"Foi um dos escritores judeus da Europa que não podiam pertencer a uma única nação devido a seus traumas e à perspectiva universal de sua obra sobre o Holocausto", afirmou à AFP Gabor T. Szanto, editor da revista literária húngara Szombat, que se encontrava regularmente com o escritor.

Sua obra mais conhecida, "Sem Destino", publicada em meio à indiferença em 1975, foi finalmente reconhecida como uma obra que "sustenta a frágil vivência do indivíduo contra a bárbara arbitrariedade da História" e "defende o pensamento individual contra a submissão ao poder político", segundo o júri do Nobel.

O livro evoca, de forma sóbria, irônca e distanciada, a vida do jovem deportado que ele foi.

"Entre 1961 e 1973, escrevi umas 500 vezes o início de 'Sem Destino' para achar uma distância, uma estrutura, um marco onde as palavras pudessem ter vida própria", contou certa vez.

Kertesz, da mesma forma tradutor de literatura alemã, é também autor de "Kaddish para uma Criança que não Vai Nascer 1990), "Eu, um outro" (1997) e "Liquidação" (2004).

Seu último livro, "A última pousada", que será publicado em breve, inclui diários íntimos entre os anos 2001 e 2009, que constituem "um testemunho visceral e às vezes perturbador de suas experiências nesse período", segundo a editora espanhola da obra.

"Imre Kertész foi um visionário, apesar de também um homem simples e amável, que todos nós amamos muito", afirma sua editora francesa, Martina Wachendorff-Pérache, no site da Actes Sud.

pmu-smk/fp/cn

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