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Inquietação por liberdade de imprensa na Turquia após intervenção em jornal crítico

05/03/2015 17h48

Istambul, 5 Mar 2016 (AFP) - Os Estados Unidos e a União Europeia expressaram neste sábado sua preocupação com a liberdade de imprensa na Turquia, depois que um importante jornal da oposição foi colocado sob tutela judicial, último caso de repressão contra a imprensa neste país.

A polícia turca dispersou neste sábado em Istambul com bombas de gás lacrimogêneo, canhões de água e balas de borracha cerca de 500 manifestantes que estavam diante do jornal de oposição Zaman, colocado na sexta-feira sob tutela judicial pelas forças de segurança, indicou um fotógrafo da AFP.

O jornal é crítico ao presidente islamita-conservador Recep Tayyip Erdogan. Os administradores designados pelas autoridades para tomar o controle da publicação já despediram o redator-chefe, Abdulhamit Bilici, segundo a imprensa.

"Não é um processo político, mas jurídico. Não quero interferir nesse processo. A Turquia é um Estado de direito (...) mas não faremos vista grossa às manobras de uma estrutura dentro do Estado que tenta utilizar a imprensa", disse o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu.

Neste sábado, um importante dispositivo policial cercava a zona e os funcionários do jornal tinham que se identificar para entrar no edifício.

O Zaman denunciou em sua edição deste sábado um "dia de vergonha" para a liberdade de imprensa na Turquia. "A Constituição está suspensa", afirmava na primeira página em grandes letras brancas sobre um fundo preto.

A União Europeia convocou a Turquia, candidata a aderir ao bloco, a respeitar e promover a liberdade de imprensa.

"Estamos extremamente preocupados com os últimos acontecimentos relacionados ao jornal Zaman, que colocam em risco os progressos que a Turquia fez nestas áreas", disse o comissário europeu de Ampliação da UE, Johannes Hahn.

Criticamos "a última série de ações judiciais e policiais preocupantes tomadas pelo governo turco contra os meios de comunicação e os que o criticam", disse o porta-voz do Departamento de Estado americano, John Kirby.

O grupo Zaman, que também é dono da agência de notícias Cihan e do jornal em inglês Today's Zaman, é conhecido por suas posições próximas ao imã Fethula Gulen, inimigo número um de Erdogan desde que explodiu um escândalo de corrupção. O escândalo atingiu as altas esferas do governo no final de 2013.

PuniçõesO presidente Erdogan acusa Gulen, de 74 anos, de ter originado as acusações de corrupção contra ele há dois anos e de ter criado um "Estado paralelo" destinado a derrubá-lo do poder. Os partidários de Gulen negam as acusações.

Desde este escândalo, as autoridades turcas multiplicaram as punições, especialmente dentro da polícia e da justiça, e realizaram ações judiciais contra os partidários de Gulen e seus interesses financeiros.

Após a colocação sob administração judicial, dezenas de jornalistas e funcionários do Zaman se reuniram diante da sede do jornal em Istambul.

"A imprensa livre não deixará que a calem, sobreviverá mesmo que precisemos escrever nos muros. Não podem calar os meios de comunicação nesta era digital", expressou o redator-chefe do Zaman, Abdulhamit Bilici, citado pela agência de notícias Cihan, minutos antes da intervenção policial.

Há vários meses, tanto a oposição turca quanto ONGs de defesa dos meios de comunicação e outros países, expressaram sua inquietação diante da crescente repressão de Erdogan e de seu governo da imprensa.

Dois jornalistas do jornal opositor Cumhuriyet, Can Dundar e Erdem Gul, serão julgados no fim de março por terem informado sobre fornecimentos de armas de Ancara a rebeldes islamitas na Síria.

Os dois repórteres foram libertados há uma semana depois de passarem três meses na prisão, mas correm o risco de ser condenados à prisão perpétua.

sjw-thm/alc/meb/avl/dmc/ma

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