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Destruição de estátuas milenares em museu no Iraque pelo EI choca o mundo

26/02/2015 18h59

Bagdá, 26 Fev 2015 (AFP) - O grupo Estado Islâmico difundiu um vídeo nesta quinta-feira em que se pode ver combatentes na cidade de Mossul, no Iraque, destruindo antigas estátuas e ídolos que eles consideram proibidos pela fé muçulmana, um ataque que motivou a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, a pedir uma reunião de crise do Conselho de Segurança da ONU.

Cinco minutos de imagens mostram alguns insurgentes no museu de Mossul derrubando estátuas de seus pedestais e destruindo-as a marteladas.

Em outra cena, o jihadista destrói um grande touro alado assírio em um sítio arqueológico da cidade, que a cidade que o grupo controla desde o ano passado.

"Muçulmanos, estas estátuas eram ídolos para as pessoas de tempos antigos, que os adoravam invés de adorar Deus", afirma um dos combatentes olhando para a câmera.

"Os chamados assírios, acádios e outros povos tinham deuses para a chuva, para a colheita, para a guerra... e tentavam aproximar-se deles com oferendas. O profeta eliminou e enterrou os ídolos em Meca com suas mãos benditas", prossegue.

Os especialistas acreditam que entre os objetos destruídos havia peças originais, fragmentos reconstruídos e cópias, parte de coleções da arte assíria, com idade de vários séculos antes de Cristo.

A Unesco informou que, entre as peças destruídas, se encontram várias estátuas de grande tamanho procedentes do sítio de Hatra, "inscrito na Lista do Patrimônio Mundial", deste organismo das Nações Unidas.

"Este ataque é muito mais que uma tragédia cultural, é também uma questão de segurança porque ele aumenta o sectarismo, o extremismo violento e o conflito no Iraque", denunciou a encarregada da Unesco, em um comunicado após a difusão do vídeo.

Os assírios formam uma antiga comunidade cristã, mas cuja presença na Síria é recente, em função dos massacres que sofreram no Iraque.

Esta comunidade faz parte das muitas que formam o mosaico de cristãos do Oriente e se destaca como sendo os descendentes do antigo império assírio estabelecido na Mesopotâmia, muito antes da introdução do cristianismo e do Islã.

Os jihadistas tomaram mais de dez aldeias assírias na vizinha Síria nos dois últimos dias e sequestraram pelo menos 220 assírios.

O EI controla Mossul, a segunda cidade do Iraque, desde de quando em junho lançaram uma grande ofensiva contra grandes áreas do país.

Desde sua chegada, atacaram sistematicamente as minorias e destruíram seu patrimônio, causando indignação a nível mundial.



'Nova incitação à violência'

Para a diretora geral da Unesco, Irina Bokova, que condenou esta "nova incitação à violência e ao ódio", "este ataque é muito mais que uma tragédia cultural", "é também uma questão de segurança na medida em que alimenta o sectarismo, o extremismo violento e o conflito" no Iraque.

Neste sentido, Bokova contou que solicitou ao presidente do Conselho de Segurança da ONU a convocação de "uma reunião urgente" para tratar sobre "a proteção do patrimônio cultural iraquiano como elemento constituinte da segurança do país".

Segundo Thomas Campbell, diretor do Museu Metropolitano de Nova York, o ataque em Mossul "é um ato de destruição catastrófica de um dos mais importantes museus do Oriente Médio".

No museu, também há uma coleção de arte islâmica da qual não se sabe a situação.

Os islamitas também explodiram uma mesquita curda do século XII na cidade, informaram testemunhas.

Contudo, segundo um prestigiado arqueólogo e criminalista, Samuel Hardy, os militantes do EI estão destruindo na realidade as estátuas que não puderam vender ilegalmente, no mercado negro.

"A única coisa que esse vídeo demonstra é que estão dispostos a destruir as coisas que não podem tirar do país", explicou em seu blog Conflict Antiquities.



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