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Modelo canadense com vitiligo inspira todo o mundo

13/02/2015 15h41

Nova York, 13 Fev 2015 (AFP) - Chantelle Winnie está revolucionando o mundo da moda. A jovem modelo canadense, que adora um café-da-manhã tipicamente inglês, com linguiça, bacon e ovos, é a "it girl" da diversidade em um mundo dominado pela padronização da beleza.

Diagnosticada com vitiligo aos 4 anos, mesma doença de Michael Jackson, ela superou anos de bullying e rejeição para realizar seu sonho de de transformar em uma modelo internacional.

Descoberta do anonimato para participar do programa "America's Next Top Model" e escolhida anos depois como garota-propaganda da marca Desigual, de Barcelona, Chantelle diz amar cada segundo da fama, sua "incrível" vida pontuada por boas noites de sono e café-da-manhã com a mãe em Toronto.

A modelo de 20 anos já conseguiu alcançar muito em sua lista de desejos, mas o maior deles continua: estampar a capa da bíblia da moda americana, a revista Vogue, cuja editora mãos-de-ferro, Anna Wintour, ela ainda não conhece. Ainda.

Divertida e sorridente, a modelo transparece um estilo delicado no exterior que contrasta com sua determinação de ferro.

Ela se transformou em uma espécie de embaixadora da vitiligo, doença que causa despigmentação da pele e afeta mais de dois milhões de americanos. A modelo aprendeu a se orgulhar de quem ela é.

"E só poderia me rotular como uma embaixadora da alegria!", diz, em entrevista à AFP, no hotel em Nova York enquanto observa o céu de inverno de Manhattan.

Mas não foi uma caminhada fácil até a passarela da Desigual na quinta-feira, durante a Semana de Moda outono-inverno 2015 de Nova York.

Criada por uma mãe solteira Criada por uma mãe solteira, uma cabeleireira, ela visitava com regularidade seu pai, um jamaicano que tem uma casa em Atlanta.

"Nós vivemos sozinhas por muito tempo e esses foram os anos mais felizes, apenas eu e minha mãe", diz.

Mas Chantelle sofreu muito preconceito na escola como uma adolescente rejeitada por todas as agências de modelo de Toronto.

Como toda candidata à fama com respeito próprio, ela criou um perfil em uma rede social, onde foi descoberta pela ex-modelo Tyra Banks, apresentadora do duradouro 'reality show' "America's Next Top Model."

Winnie saiu do programa em 2014, mas Tyra é claramente sua grande inspiração e as duas ficaram próximas.

"Você já é uma estrela. Eu apenas ofereci uma plataforma para garantir que as pessoas reconhecessem quem você era. Continue me dando orgulho", disse a apresentadora.

"Isso realmente me tocou", diz a modelo.

O mundo da moda sempre foi culpado por uma grande variedade de pecados: distúrbios alimentares, o culto à magreza, a divulgação de uma imagem de perfeição que a mulher comum nunca conseguiria alcançar e também de priorizar os brancos.

Apesar do rosto manchado de Winnie impressionar, ela tem a beleza esperada para uma modelo: tem 1,78 metro de altura, pernas e braços finos, maçãs do rosto proeminentes e cintura fina.

E ela não é a única a desafiar os padrões. Uma modelo com Síndrome de Down desfilou em Nova York esta semana. Modelos "plus-size" se tornam mais comuns em revistas e a semana de moda novaiorquina fechou o cerco contra as más condições a que são submetidas as modelos infantis.



A indústria se abre "Até mesmo as modelos mais famosas hoje têm muita personalidade e eu sinto que é isso que as pessoas procuram, você sabe, algo com que possam se identificar, uma pessoa real", diz Winnie.

"Então eu sinto que a indústria está mais aberta, abrindo os olhos", continua.

Ela descreve a Desigual como uma família.

"É muito orgânica, você sabe. Eles tinham acabado de me conhecer, se apaixonaram por mim e disseram nós vamos ficar com você, você é nossa agora", continua.

O símbolo da marca, os laçarotes, e as cores fortes combinam com a personalidade da modelo, mas no fundo ela diz ser apenas o tipo de menina que ama moletom e tênis.

Ela não se debruça no que aconteceu de ruim no passado e diz que sua mensagem para as jovens meninas é: "concentre-se na opinião que tem de si mesma e não na opinião que os outros têm de você".

Quando visitou o colégio em que estudou, ela foi cercada. "Muitas garotas diziam 'Meu Deus, é você, você é aquela garota!'", lembra.

Chantelle ri mais uma vez. Ela dá a impressão de ser uma garota caseira que adora dormir e ganhar carinhos da mãe quando está em casa.

Lá ela se esbalda com o café-da-manhã da mãe que inclui chá, feijões, linguiça ou bacon, ovos - todas proteínas - e um pequeno pedaço de torrada.

"No resto do dia vou comer toneladas de espinafre" diz, sorrindo. "Proteína e vegetais, esse é o meio tipo de dieta", entrega.

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