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Julian Assange aceitará ser preso se painel da ONU determinar

Paul Hackett/Reuters
A obra "Vue sur l'Estaque et le château d'If", de Paul Cézanne Imagem: Paul Hackett/Reuters

Londres, Inglaterra

04/02/2015 18h51

Londres, 4 Fev 2016 (AFP) - O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, está disposto a se entregar na sexta-feira à Polícia britânica se um painel das Nações Unidas determinar que perdeu seu caso e que a ordem de detenção contra ele não é arbitrária, segundo uma declaração divulgada nesta quinta-feira.

"Se a ONU anunciar amanhã que perdi meu caso contra o Reino Unido e a Suécia, deverei deixar a embaixada (do Equador em Londres) ao meio-dia de sexta-feira para aceitar a detenção por parte da Polícia britânica, já que uma apelação não parece possível", explicou.

Mas se, pelo contrário, o painel decidir "que os Estados agiram de maneira ilegal, espero a devolução imediata do meu passaporte e que não ocorram novas tentativas de me prender", acrescentou Assange, asilado há mais três anos na embaixada equatoriana.

O australiano, de 41 anos, se refugiou na embaixada equatoriana em Londres no dia 19 de junho de 2012 depois de esgotar todos os recursos contra sua extradição da Grã-Bretanha à Suécia.

O Equador ofereceu asilo a ele, mas Assange pode ser preso imediatamente se pisar em solo britânico, e durante anos policiais permaneceram mobilizados em frente à embaixada a um custo de milhares de libras.

Assange teme que a Suécia o entregue aos Estados Unidos, onde pode ser processado por ter revelado milhares documentos diplomáticos e militares americanos no site WikiLeaks.

Assange fundou o WikiLeaks em 2006, e suas atividades, incluindo a divulgação de 500.000 arquivos militares secretos sobre as guerras no Afeganistão e no Iraque e 250.000 correspondências diplomáticas enfureceram os Estados Unidos.

A principal fonte dos vazamentos, o soldado do exército americano Chelsea Manning, foi condenado a 35 anos de prisão por violações da Lei de Espionagem.

O WikiLeaks disse que a manipulação feita pela Suécia em seu caso manchou a reputação do país no que diz respeito aos direitos humanos.

Assange apresentou em 2014 ante o Grupo de Trabalho sobre Detenções Arbitrárias (WGAD) uma demanda contra Suécia e Reino Unido, alegando que seu confinamento na embaixada equatoriana (da qual não podia sair porque o Reino Unido lhe negava um salvoconduto) constituía uma detenção ilegal.

Na sexta-feira este grupo, integrado por seis especialistas, deve falar se a ordem de prisão contra o fundador do WikiLeaks é legal ou se seus direitos foram violados.

"A única proteção que ele tem... é ficar confinado na embaixada; a única forma que o senhor Assange tem de desfrutar seu direito de asilo é estar na prisão", disse a apresentação.

"Esta não é uma escolha juridicamente aceitável", acrescentou, de acordo com um arquivo postado no site justice4assange.com.

Qualquer decisão adotada pelo grupo não seria juridicamente vinculante, mas no passado foram reportados casos de pessoas liberadas com base em suas resoluções, incluindo Aung San Suu Kyi, em Mianmar, e o jornalista do Washington Post Jason Rezaian, que foi mantido preso pelo Irã por 18 meses.

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