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Scala de Milão abre temporada marcada por adeus ao maestro Barenboim

07/12/2014 21h43

MIL¥O, 07 dez 2014 (AFP) - A ópera Fidélio, de Beethoven, abriu com sucesso neste domingo a temporada 2014/2015 do teatro Scala de Milão, marcada pela partida de seu diretor musical, Daniel Barenboim, e por uma carregada agenda com vistas à Exposição Universal de Milão, no ano que vem.

Assim como acontece todo 7 de dezembro, Dia de Santo Ambrósio, patrono da cidade, a sociedade italiana se reuniu às 18H00 locais (15H00 de Brasília) para assistir ao início da temporada do teatro mais renomado do país, que constitui, ainda, o principal evento social do ano em Milão.

Do lado de fora do prédio, centenas de pessoas protestavam contra as medidas de austeridade na Itália, em um protesto que gerou confrontos com a polícia.

O espetáculo, dirigido pelo maestro argentino-israelense e com cenografia a cargo da britânica Deborah Warner, terminou com doze minutos de aplausos.

Ao final da apresentação, Barenboim disse estar "muito feliz". "Uma tarde como esta não se improvisa (...) Sinto que tudo o que temos feito desde 2005 seguiu uma linha e chegou ao momento em que estamos hoje", acrescentou.

O respeitado diretor, que agradeceu o "calor humano" do público italiano, passará a batuta do Scala ao regente Riccardo Chailly.

Depois que, em 2013, La Traviata, de Giuseppe Verdi, abriu a temporada, este ano o teatro subiu as cortinas com a única ópera de Ludwig van Beethoven, Fidélio. A ópera, ambientada na época da Revolução Francesa, conta a história da jovem Leonor, uma mulher que se disfarça de homem e se faz chamar de Filédio para tirar o marido da prisão.

"A heroína está disposta a tudo para salvar seu homem, mesmo descer ao inferno. É como o mito de Orfeu, mas invertido", explicou Warner.

A soprano Anja Kampe, que já interpretou o papel principal de Fidélio 75 vezes, disse "ter realizado um sonho".

A noite de gala, que será encerrada com um jantar, não será suficiente para sufocar as profundas dificuldades econômicas e sociais que a Itália enfrenta há anos.

Assim como ocorre todo ano, o espetáculo serviu para deixar em evidência os contratos e o desespero dos desempregados e outras vítimas da crise econômica na Itália, sobretudo quando entre os presentes estavam empresários e importantes dirigentes, como a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde.

Apesar da importante mobilização policial, enfrentamentos entre manifestantes e policiais deixaram dois agentes feridos.

Além disso, apesar de La Scala ter uma situação financeira mais sadia que a de outros teatros na Itália, onde a maioria dos 14 importantes centros está à beira da falência, suas contas permanecem frágeis, segundo o diretor do instituto, o austríaco Alexander Pereira.

Esta semana, Pereira pediu aos patrocinadores que não abandonem o teatro, pois sem eles, "o sistema pode desmoronar".

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