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Morre americana com câncer terminal que lutou por suicídio assistido

03/11/2014 18h43

LOS ANGELES, 03 Nov 2014 (AFP) - Brittany Maynard, uma americana de 29 anos que tinha câncer terminal, cumpriu a decisão de morrer voluntariamente, com base nas leis do estado do Oregon, o que provocou uma onda de debates sobre o direito à morte com dignidade.

Brittany, que anunciou no mês passado em um vídeo viral que ia tirar a própria vida para não sofrer com sua doença, morreu no sábado em casa cercada por sua família e pelos amigos mais próximos, depois tomar uma dose letal prescrita por um médico.

"Adeus a todos os meus queridos amigos e parentes que amo. Hoje é o dia que escolhi partir com dignidade diante de minha doença terminal, este terrível câncer cerebral que tirou tanto de mim... mas que poderia ter tomado muito mais", escreveu em uma mensagem divulgada nas redes sociais e que foi compartilhada por milhões de internautas.

"O mundo é um lugar bonito, viajar foi meu melhor professor, meus amigos próximos e meus pais são os maiores doadores. Tenho inclusive um círculo de apoio ao redor da minha cama enquanto escrevo ... Adeus mundo. Espalhem boa energia. Vale la pena!".

Sean Crowley, porta-voz do grupo 'Compassion & Choices', que luta pelo direito à morte com dignidade e que apoiou Maynard, informou que ela morreu no sábado, dia 1º de novembro.

"Brittany faleceu, mas seu amor pela vida e a natureza, sua paixão e seu espírito perduram", disse a presidente da organização, Barbara Coombs Lee.

"Em memória de Brittany, faça o que mais importa. E diga às pessoas importantes para você o quanto as ama. Vamos trabalhar para continuar com seu legado, oferecendo a todos os americanos a oportunidade de finalizar sua vida", completou.



Planejar uma morte digna

O caso de Maynard atraiu a atenção da imprensa internacional e reabriu o debate nos Estados Unidos sobre o direito ao suicídio assistido, principalmente entre pessoas jovens.

Mas a prudência e o respeito da imprensa local em relação à decisão de Maynard também refletem a divisão da opinião pública sobre essa prática.

Uma pesquisa realizada em maio pelo instituto Gallup mostra resultados contrastantes em função da pergunta. Enquanto 70% da população apoia o fato de um médico "pôr afim à vida de um paciente por meio de um método indolor", 51% avalia que um médico "ajude um paciente a se suicidar".

Os dados de uma pesquisa do centro Pew Research do ano passado mostraram que 47% dos americanos apoiavam o suicídio assistido, contra 49% que rejeitavam.

Entre os médicos também há opiniões divergentes. O jornal The Washington Post citou nesta segunda-feira uma consulta realizada pelo New England Journal of Medicine em 2013, segundo a qual 67% dos mais de 1.700 médicos consultados são contra essa prática.

Brittany Maynard havia anunciado em um vídeo que tiraria a sua vida para não sofrer os danos de seu tumor cerebral.

Os médicos deram a ela seis meses de vida depois de terem diagnosticado em janeiro um glioblastoma, um câncer no cérebro agressivo e incurável que causaria uma morte dolorosa.

Após tomarem conhecimento a notícia, Maynard e seu marido, Daniel Diaz, decidiram em junho se mudar da Califórnia para o Oregon, um dos poucos estados dos Estados Unidos que permite a eutanásia.

Com isso, um médico podia receitar os medicamentos necessários para que ela cometesse o suicídio, com uma combinação letal de barbitúricos, segundo um porta-voz da mulher há algumas semanas.

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