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Louis de Funès, gênio da comédia francesa, faria 100 anos

29/07/2014 11h02

PARIS, 29 Jul 2014 (AFP) - Victor Pivert, Leopold Saroyan, o comissário Juve ou o gendarme Cruchot. Louis de Funès, que se vivo completaria 100 anos em 31 de julho, continua a ser um dos maiores campeões de bilheteria da França, com mais de 120 milhões de espectadores apaixonados por sua genialidade.

Como prova de seu eterno sucesso, "La grande vadrouille" (A Grande Escapada, 1966), no qual forma com Bourvil uma formidável dupla cômica, foi por 42 anos o filme francês mais visto com seus 17,27 milhões de espectadores, antes de ser destronado em 2008 por "Bienvenue chez les Ch'tis" (A Riviera não é aqui), com 20,44 milhões, e depois, em 2011, por "Intouchables" (Intocáveis, 19,48 milhões de espectadores).

Os filmes do ator são reprisados regularmente na televisão francesa como "La traversée de Paris" (A Travessia de Paris), "Les aventures de Rabbi Jacob" (As Loucas Aventuras de Rabi Jacob) ou a saga dos "Gendarmes", que voltará às telas de cinema a partir de quinta-feira.

"Louis de Funès continua popular porque é um ator que sobrevive as gerações. Seus filmes são os preferidos para reunir a família", explica à AFP Sophie Adriansen, autora de "Louis de Funès - Regardez-moi là vous!".

Baixo, calvo, olhos vivos e azuis, falante, mal humorado e cheio de tiques, Louis de Funès simboliza "o francês caricato". "Personifica o que menos gostamos em nós, tudo o que adoramos detestar", acrescenta Adriansen, que tinha apenas seis meses quando o ator morreu, aos 68 anos, em janeiro de 1983.

Louis de Funès de Galarza nasceu em 31 de julho de 1914 em Courbevoie (Hauts-de-Seine). Após completar o ensino médio em Paris, exerceu várias profissões (vitrinista, ajudante contábil, lanterneiro...). Frequentou por pouco tempo um curso de arte dramática, ganhou a vida como pianista em um bar e acabou por se apresentar em uma peça de teatro graças a Daniel Gélin.

Por muito tempo foi relegado a papéis de pouca importância, tanto no teatro como no cinema, e precisou esperar seus quarenta anos para ser reconhecido em "La traversée de Paris", ao lado de grandes astros do cinema da época, Jean Gabin e Bourvil.

O sucesso veio com "Pouic-Pouic", de Jean Girault (1963), e depois em "Fantomas" (Fantômas), com Jean Marais em 1964, ano de estreia de "Gendarme de Saint-Tropez" (Biquinis de Saint-Tropez), primeiro opus de uma série que terminou em 1982 com "Le gendarme et les gendarmettes" (O Gendarme e as Gendarmetas), que também foi o último filme do ator.

O nome de Louis de Funès é rapidamente associado ao do cineasta Gérard Oury. Em conjunto assinaram grandes sucessos: "Le corniaud" (1965, 11,7 milhões de espectadores), "La grande vadrouille" (A Grande Escapada, 1966), "Les aventures de Rabbi Jacob" (As Loucas Aventuras de Rabbi Jacob, 1973, 7,3 milhões de espectadores), entre outros.

Apesar de uma parada cardíaca em 1975, logo se recuperou e voltou aos estúdios, confirmando sua popularidade com "L'aile ou la cuisse" (1976) e "La zizanie" (O incorrigível teimoso, 1978).

Muitas vezes desprezado pela crítica, a imprensa e os intelectuais, Louis de Funès continua sendo um dos mais queridos do público francês, que agora pode ver o chapéu de Rabbi Jacob ou a peruca do maestro de "A Grande Escapada" no museu que abriu recentemente em Cellier, perto de Nantes.

Graças a tecnologia, Louis de Funès "ressuscitará" no próximo ano no primeiro filme de animação em 3D de Jamel Debbouze. Com a colaboração do filho Olivier de Funès, que apareceu várias vezes nos filmes do pai.

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