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Prisão para ex-assessor de Cameron por escândalo de escutas ilegais

04/07/2014 10h26

LONDRES, 04 Jul 2014 (AFP) - O ex-assessor do primeiro-ministro britânico David Cameron, Andy Coulson, foi condenado nesta sexta-feira a 18 meses de prisão pelo caso das escutas ilegais que provocou o fechamento do tabloide News of the World.

Coulson, ex-chefe de redação da revista do magnata Rupert Murdoch, foi declarado culpado no fim de junho de escutas ilegais, após um julgamento de oito meses em um tribunal de Londres.

"Estava ciente da espionagem e a encorajou, quando deveria ter colocado fim a esta prática", declarou o juiz John Saunders ao justificar a condenação.

Coulson, de 46 anos, permaneceu impassível durante a leitura do veredicto.

Outros dois funcionários de alto escalão do News of the World, o ex-chefe de redação Greg Miskiw e o repórter Neville Thurlbeck, foram condenados a seis meses de prisão cada um.

O jornalista James Weatherup e o detetive particular Glenn Mulcaire foram condenados a quatro e seis meses de prisão em suspenso, respectivamente.

Os quatro haviam se declarado culpados de espionagem telefônica.



Jornalistas de destaque

"Todos os acusados que condenei, com exceção de Mulcaire, são jornalistas de destaque e que não precisavam se comportar assim para obter sucesso", lamentou o juiz.

Cameron foi obrigado na semana passada a se desculpar publicamente por ter empregado Coulson, que foi seu diretor de comunicações entre 2007 e sua renúncia em 2011.

"Sinto sinceramente por tê-lo contratado. Foi uma decisão equivocada e digo isso claramente", afirmou Cameron em um comunicado.

Cameron voltou a falar do caso nesta sexta-feira e considerou que sua lição é que "o certo é fazer justiça e que ninguém está acima da lei", disse à Sky News.

A outra principal acusada do caso, a antecessora de Coulson no cargo e sua amante, Rebekah Brooks, foi absolvida.

O julgamento em si teve sua própria dose de escândalo, já que se soube que Brooks e Coulson mantinham um caso extraconjugal quando trabalhavam na publicação.

Os detalhes da aventura - incluindo as cartas de amor - foram generosamente divulgados pela promotoria.

Clive Goodman, que foi editor de temas reais no semanário, explicou que a princesa Diana de Gales lhe deu os números de telefone privados dos membros da Casa Real porque "buscava um aliado para atacar" o príncipe herdeiro Charles após seu divórcio.

Também foram apresentadas mensagens comprometedoras nas quais o ex-primeiro-ministro britânico trabalhista Tony Blair oferecia assessoramento a Brooks neste caso.

O News of the World foi em certo momento a revista mais vendida da Grã-Bretanha, com mais de 2,5 milhões de exemplares semanais, graças, em grande parte, as suas exclusivas sobre a vida privada dos famosos e sobre incidentes truculentos.

Muitas destas exclusivas eram obtidas com o acesso ilegal às conversas telefônicas privadas de seus protagonistas.

Murdoch fechou o News of the World no dia 10 de julho de 2011 depois de 168 anos em circulação, quando sua situação se tornou insustentável à medida que seus métodos eram revelados.

As vítimas dos grampos telefônicos eram principalmente celebridades, de políticos a atletas, artistas e membros da família real, mas também pessoas comuns que por algum motivo chegaram às páginas dos jornais.

Por exemplo, a menina de 13 anos Milly Dowler, desaparecia em 2002 e que finalmente foi encontrada assassinada.

O jornal grampeou seu telefone e chegou a apagar mensagens para liberar espaço na memória, fazendo os investigadores acreditarem que a menina estava viva.

Pessoas próximas a Paul McCartney, o ator Daniel Craig, as modelos Kate Moss, Sienna Miller e Elle MacPherson, a duquesa de Cambridge Kate Middleton e seu marido, o príncipe William, foram alguns dos alvos das escutas.

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