Entretenimento

Egito condena jornalistas da Al-Jazeera e gera protestos internacionais

23/06/2014 10h21

CAIRO, 23 Jun 2014 (AFP) - Um tribunal egípcio condenou nesta segunda-feira três jornalistas da Al-Jazeera, acusados de apoiar os islamitas, entre eles o australiano Peter Greste, a uma pena de sete a 10 anos de prisão, uma sentença que provocou uma onda de protestos internacionais.

Em nível internacional foi lançada uma campanha para apoiar os jornalistas com o slogan "o jornalismo não é um crime".

Após a visita do secretário de Estado americano, John Kerry, cujo país prometeu o desbloqueio de um terço de sua importante ajuda militar ao Egito, era esperada uma absolvição. Kerry chegou a pedir que o Egito apoiasse a liberdade de imprensa.

Greste e o egípcio-canadense Mohamed Fadel Fahmy, chefe do escritório da rede do Catar antes de sua proibição no Egito, foram condenados a sete anos de prisão, e o egípcio Baher Mohamed a 10.

Entre os outros acusados, há dois jornalistas britânicos e um holandês que já se encontram no exterior e foram condenados a 10 anos de prisão.

A rede Al-Jazeera classificou o veredicto de injusto, enquanto a Austrália disse estar consternada. A Holanda, por sua vez, chamou para consultas seu embaixador no Egito e afirmou que a jornalista Rena Netjes não havia tido direito "a um julgamento justo", ressaltando que o caso será tratado com a União Europeia.

O Egito considera a rede de televisão como uma porta-voz do Catar, país criticado por seu apoio à Irmandade Muçulmana, enquanto Doha denuncia abertamente as repressões contra os partidários do presidente deposto Mohamed Mursi.

"A detenção de nossos companheiros não tem nenhuma justificativa. É uma vergonha que tenham ficado detidos por 177 dias e a condenação também é ilógica, falta de sentido comum e aparentemente de justiça", declarou a rede do pequeno emirado após o anúncio do veredicto.

Das 20 pessoas julgadas neste caso, 16 egípcios foram acusados de pertencer a uma organização terrorista, a Irmandade Muçulmana, e de ter tentado "prejudicar a imagem do Egito", e quatro estrangeiros de ter publicado informações falsas para apoiar o grupo.

Após o anúncio do veredicto, Fadel Fahmy gritou: "Vão pagar por isso, vão pagar por isso, eu juro!".

"Estamos destruídos, é difícil encontrar as palavras para descrever o que sentimos. Não esperávamos nada disso, pensávamos que seria absolvido", declarou Andrew Greste, cujo irmão trabalhou anteriormente para a BBC e recebeu vários prêmios. "Vamos lutar por sua libertação", acrescentou.



Não haverá indulto por ora

Um funcionário da presidência egípcia declarou à AFP que nenhum indulto será concedido no momento e que não é possível intervir até que um tribunal de apelação se pronuncie sobre o assunto.

Chabane Said, advogado da defesa, denunciou que se tratava de uma sentença política. "Não há nenhuma prova contra os acusados. Todos os jornalistas devem se preocupar a partir de agora: não há justiça, é a política que dita a lei", disse.

O veredicto é divulgado duas semanas após a eleição à presidência do ex-chefe militar Abdel Fatah al-Sissi com 96,9% dos votos. O marechal dirigia de fato o país desde que derrubou e prendeu o presidente anterior, Mohamed Mursi, no dia 3 de julho de 2013, e lançou uma sangrenta repressão contra toda a oposição política.

O exército e a polícia mataram mais de 1.400 manifestantes pró-Mursi e detiveram mais de 15.000 pessoas, muitas das quais foram condenadas à morte ou à prisão perpétua em julgamento rápidos e em massa.

Os jornalistas Greste e Fahmy foram detidos quando cobriam estes acontecimentos no dia 29 de dezembro em um quarto de hotel do Cairo transformado em escritório depois que a polícia invadiu a sede da Al-Jazeera.

Os repórteres trabalhavam sem o credenciamento que era obrigatório para todos os meios de comunicação.

Em sua visita ao Cairo no domingo, o secretário americano de Estado pediu que o Egito preserve a liberdade de imprensa e disse que a transição pós-Mursi está em um momento crítico.

ht-tgg/sbh/hj/pop/jo/ma

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Facebook Messenger

Receba as principais notícias do dia. É de graça!

Mais Entretenimento

Topo