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Morre a sobrevivente mais idosa do holocausto aos 110 anos

24/02/2014 10h22

LONDRES, 24 Fev 2014 (AFP) - A sobrevivente do holocausto mais idosa, Alice Herz-Sommer, que tem sua história contada em um documentário indicado ao Oscar, faleceu em Londres aos 110 anos, anunciou a família no domingo.

Judia nascida em Praga, ela passou dois anos da Segunda Guerra Mundial no campo de concentração de Terezin, na Tchecoslováquia, onde distraía os companheiros de detenção tocando piano.

A vida de Alice Herz-Sommer, amiga do escritor Franz Kafka, inspirou o filme "The Lady In Number 6: Music Saved My Life", de Malcolm Clarke, indicado ao Oscar na categoria documentário curta-metragem.

Quase 140.000 judeus foram deportados para o campo de Terezin e 33.430 morreram no local.

Segundo seu neto Ariel Sommer, "Alice Sommer morreu serenamente (...) com sua família ao seu lado".

"Ela nos amava, ria conosco e desfrutava da música conosco. Era uma fonte de inspiração e nosso mundo será mais pobre sem ela ao nosso lado", acrescentou Ariel Sommer.

Segundo o site do documentário na rede social Facebook, Alice Sommer morreu no domingo depois de ficar doente dias antes.

"Ainda vivia em seu apartamento quando se sentiu mal na quinta-feira, passou duas noites no hospital e morreu no sábado", afirma na página.

No documentário de 38 minutos que concorre ao Oscar, a protagonista conta sua vida e a importância do riso e da música para ter uma vida feliz.

"Sou judia, mas Beethoven é a minha religião", explicou em uma entrevista.

"Penso viver meus últimos dias, mas pouco importa, porque minha vida foi muito rica. E a vida é magnífica, a natureza e a música são magníficas. Tudo o que vivemos é um presente, um presente que devemos cultivar e dar àqueles que amamos", acrescentou.



- O ódio conduz somente ao ódio -

Em outra entrevista, dizia não ter odiado nunca: "o ódio conduz somente ao ódio".

"Se você pode aproveitar a música, nem tudo está perdido. Ela nos conduz a uma ilha de paz, de beleza, de amor. A música é um sonho", estimava.

Em seu site, Nicholas Reed, produtor de "The Lady In Number 6", disse sobre seu filme: "As crianças de todo o mundo se inspiram em super-heróis. O que nós, seus pais, temos que lembrá-las, é que os documentários explicam histórias de super-heróis que são reais. Os super-heróis se baseiam em pessoas extraordinárias, pessoas reais, como Alice Herz-Sommer".

A crítica cinematográfica do jornal LA Times, Betsy Sharkey, declarou que o filme a impactou.

"Sua história começa em Praga em 1903, onde era uma menina privilegiada, sua memória é exacerbada quando lembra as visitas a sua casa de Franz Kafka e do compositor Gustav Mahler", narrou Sharkey.

"A Segunda Guerra Mundial e os campos de extermínio de Hitler acabaram com essa vida, seu talento com o piano a salvou".

"O que é extraordinário não é apenas a música tão bem interpretada quando se senta ao piano em Number 6, mas o fato de não guardar rancor", declarou.

jwp-bed/dh/jmr-al/js/ma

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