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Nova York: paraíso paradoxal dos jovens estilistas

13/02/2014 20h41

NOVA YORK, 13 Fev 2014 (AFP) - Nova York, o sonho dos promissores talentos da moda e ao mesmo tempo o cemitério de muitas expectativas, é para muitos jovens estilistas um paradoxo, onde só os bem preparados podem aspirar a brilhar algum dia.

A cada ano, centenas de estilistas lançam suas carreiras ou tentam fazê-lo, na esperança de se transformarem nos próximos Alexander Wang, Joseph Altuzarra ou Jason Wu, estrelas com pouco mais de 30 anos.

Este fenômeno se acelerou recentemente com o que os especialistas chamam de "renascimento" da indústria de roupas local, em alta por anos até se ver dizimada junto com todo o resto de setor no final do século passado.

Para um jovem estilista, "Nova York é onde se tem que estar, por uma enorme visibilidade e o máximo de oportunidades", explica Jonathan Bowles, do Center for an Urban Future, grupo de pesquisa novaiorquino dedicado ao desenvolvimento da economia local.

Além de escolas de renome, como o Fashion Institute of Technology (FIT) e a Parsons School, uma forte tradição têxtil, a presença de marcas internacionais e de uma Semana de Moda famosa, o dinamismo empresarial faz de Nova York um trampolim para a carreira.

Mas para os aspirantes a estilistas que trabalham em outras áreas ou outros setores de moda, em finanças ou tentando criar sua própria marca, este universo é implacável.

"A cidade de Nova York é um paradoxo. É ao mesmo tempo um ambiente difícil de acessar" mas também um lugar extremamente estimulante, "com uma concentração incrível de talentos que coloca em segundo plano todas as cidades do mundo, em comparação", resume Adam Friedman, do Pratt Center for Community Development.



Para fazer um nome tem que estar preparado

"Há que se ter um produto excepcional, algo que o mercado ainda não sabe que o interessa e de qualidade superior", explica Caroline Fuss, uma australiana de 26 anos nascida no Zimbábue que trabalhou com a marca Proenza Schouler antes de fundar a Harare, sua marca de prêt-à-porter.

Para Fuss, a busca pela excelência passa pela "qualidade extraordinária" de seus tecidos. Fascinada pela tradição têxtil guatemalteca, Fuss decidiu confiar a confecção de uma parte de seu material a comunidades desse país, antes de enviar as peças para ateliês da rua 39, no Garment District, emblemático bairro novaiorquino da indústria de moda.

"Nós contamos com extraordinários costureiros que trabalham também para marcas de renome como Thakoon, The Row e Sophie Theallet".

Tecnologia de vanguarda, "um sentido ético" forte e "o cuidado do desenvolvimento sustentável" são valores percebidos como uma vantagem.

"Nós temos uma pequena vantagem porque utilizamos tecnologias muito avançadas" como a técnica do "wholegarment", que tece um vestido de uma só vez, sem cortes, costuras ou desperdício de lã, e um programa de modelagem 3D, explica Lindsay Mann, diretora artística de Kotoba, uma linha lançada nos Estados Unidos em 2012 por Shima Seiki, grupo japonês de ponta em tecidos.

Além disso, "tudo nosso é 100% feitos nos Estados Unidos, em Nova Jersey, a 45 minutos de Manhattan", destaca a jovem de 29 anos, com um argumento de peso tanto para os consumidores - ávidos por conhecer a origem das roupas após as tragédias envolvendo trabalhadores da indústria têxtil, principalmente em Bangladesh - quanto para o varejo.

"Gostamos que tenham sede em Nova York, do ponto de vista prático mas também porque queremos participar da economia local e da renovação" da indústria têxtil na região, diz Ivan Gilkes, copropietário do showroom Aikaz no West Village.

Para todos, o "Made in NYC" é uma etiqueta forte numa indústria em plena evolução, que alguns sabem utilizar melhor que outros.

"A moda é concebida para que a gente se sinta bem", e isso exige "conhecer a história da vestimenta", afirma Bob Bland, criadora da incubadora de empresas Manufacture New York e da plataforma de desfiles Launch NYC.

ppa/rap/ll/ad/cr-mm

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