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Primeiro-ministro de Portugal diz que manterá venda de 85 telas de Miró

Lefteris Pitarakis/AFP
19.dez.2013 - Quadro "Mulheres e Flores", de Miró, parte da coleção de 85 telas cuja venda foi anulada, é manuseado em casa de leilão Imagem: Lefteris Pitarakis/AFP

Em Lisboa

05/02/2014 19h45

Portugal mantém sua intenção de vender no "curto prazo" os 85 quadros do pintor espanhol Joan Miró, que teve seu leilão na Casa Christie's londrina suspenso no último minuto na terça-feira (4), disse o primeiro-ministro de Portugal, Pedro Passos Coelho.

De acordo com o Coelho, manter esses quadros em Portugal terá um custo para o Estado português, "que não tem os 30 ou 40 milhões de euros necessários para investir nessas obras".

Na terça-feira, a Christie's anulou o leilão organizado pelo governo português.

"A venda de 85 obras de Joan Miró foi cancelada como resultado de uma disputa em uma corte portuguesa, da qual a Christie's não é parte [envolvida]", declarou a Casa.

"As incertezas legais criadas por essa disputa em curso significam que não podemos oferecer as obras para venda com toda a segurança", acrescentou a Christie's.

Um grupo de deputados do Partido Socialista, principal força de oposição ao governo de centro-direita, recorreu à Justiça para que as telas não sejam vendidas, depois de se esgotarem todas as possibilidades de impedir a comercialização dos quadros no Parlamento.

O tribunal administrativo de Lisboa rejeitou a suspensão cautelar da venda, conforme solicitado pela Procuradoria, mas destacou "irregularidades" na saída dos quadros do país.

O primeiro-ministro disse que as irregularidades são de responsabilidade da casa de leilões.

A Christie's "tinha a responsabilidade de organizar tudo: o pedido de exportação das obras, os seguros, o transporte dos quadros e seu leilão", afirmou Passos Coelho.

"Com sua experiência, deveriam ter tomado mais precauções", criticou o chefe de governo, explicando que os quadros de Miró "terão de voltar para Portugal para que sua futura exportação possa respeitar os termos da lei".

A nova data do leilão ainda não foi definida, disse o primeiro-ministro português, acrescentando que ele poderá ser feito pela Christie's ou por outra casa de leilão.

A Christie's estimou o valor das obras do artista de Barcelona (1893-1983) em 30 milhões de libras (R$ 117,4 milhões).

A decisão do governo de vender as 85 obras para reforçar os cofres públicos causou polêmica nos círculos culturais. Milhares de assinaturas foram coletadas on-line para exigir que a coleção --propriedade do Estado desde a nacionalização do banco BPN, em 2008--- fique em Portugal.

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