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Scarlett Johansson deixa Oxfam por polêmica campanha publicitária israelense

30/01/2014 14h28

JERUSALEM, 30 Jan 2014 (AFP) - A atriz americana Scarlett Johansson abandonou seu cargo honorário de embaixadora da organização beneficente Oxfam por participar na campanha publicitária de uma empresa de refrigerantes israelense sediada em território palestino ocupado.

"O papel de Johansson promovendo a empresa SodaStream é incompatível com seu cargo de embaixadora mundial da Oxfam", razão pela qual a organização aceitou sua decisão de renunciar, anunciou a Oxfam em um comunicado.

"A Oxfam acredita que negócios como os da SodaStream, que opera em assentamentos (israelenses em território palestino), agravam a pobreza e negam os direitos das comunidades palestinas que trabalhamos para apoiar", continua a organização.

"A Oxfam se opõe a qualquer comércio dos assentamentos israelenses, que são ilegais sob a lei internacional", acrescentou a Oxfam.

Johansson colaborava com a Oxfam desde 2005 e em 2007 se converteu em embaixadora mundial de sua causa.

O anúncio que provocou a polêmica será transmitido durante o intervalo do Super Bowl, a final da liga de futebol americano e um dos espaços mais cobiçados para uma campanha publicitária.

"Como muitos atores, salvar o mundo é meu trabalho verdadeiro", afirma a atriz no início do anúncio.

Em um artigo publicado no dia 24 de janeiro no The Huffington Post, Johansson se defendeu da polêmica afirmando: "sigo apoiando a cooperação econômica e interação social entre um Israel democrático e a Palestina".

A atriz apoiou a empresa SodaStrem, que, segundo ela, se comprometeu a "construir pontes de paz entre israelenses e palestinos, a fazer vizinhos trabalharem juntos, pelo mesmo salário, os mesmos bônus e com os mesmos direitos".

A SodaStram é uma multinacional israelense especializada na fabricação de aparelhos de gaseificação de bebidas para particulares. Tem uma fábrica em uma área industrial da Cisjordânia, na zona da colônia de Maale Adumim, perto de outros assentamentos localizados em Jerusalém Oriental.

Mais de 360.000 colonos israelenses vivem na Cisjordânia e cerca de 200.000 nas zonas de colonização de Jerusalém Oriental. A comunidade considera que todas as colônias nos territórios palestinos ocupados são ilegais, independentemente do fato de terem ou não sido autorizadas pelo governo israelense.

Para Omar Barghuti, membro fundador do movimento Boicote, Desinvestimento, Sanções (BDS) nos territórios palestinos ocupados, a Oxfam teria que ter feito Johansson abandonar seu cargo sem esperar sua renúncia, diante de "sua óbvia cumplicidade com a justificativa das violações israelenses do Direito Internacional".

"O critério duplo da Oxfam é imperdoável", estimou. "Scarlett Johansson decidiu conscientemente se converter no novo rosto da ocupação e do apartheid israelenses", acrescentou.

Este caso ilustra os crescentes êxitos do movimento BDS, cujos apelos para boicotar Israel se inspiram na campanha internacional que levou à queda do regime racista do apartheid na África do Sul.

Uma das personalidades mais comprometidas com o BDS é Roger Waters, membro fundador do grupo de rock progressivo Pink Floyd, cuja música "The Wall" se converteu no hino da luta contra a barreira de segurança israelense, chamada de "muro do apartheid" pelos palestinos. Waters convocou outros músicos a não se apresentarem em Israel, em nome do boicote cultural.

sy-str/agr/dmc.

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