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Morre Doris Lessing, prêmio Nobel de Literatura de 2007

Juan Martin/EFE/23set.2006
A escritora britânica Doris Lessing Imagem: Juan Martin/EFE/23set.2006

Em Londres

17/11/2013 16h04

A romancista britânica Doris Lessing, prêmio Nobel de Literatura em 2007, morreu aos 94 anos, anunciou neste domingo seu agente, Jonathan Clowes.

Nascida em 22 de outubro de 1919 em Kermanshah, na Pérsia - hoje Irã -, Doris Lessing escreveu mais de 50 livros, em uma rica obra que fez dela um ícone de marxistas, anticolonialistas, militantes anti-apartheid e feministas.

"Ela se foi em paz em sua casa em Londres nesta manhã", declarou seu agente e amigo Jonathan Clowes.

"Era uma romancista magnífica, com um pensamento fascinante e original. Foi um privilégio trabalhar com ela e vamos sentir imensamente a sua falta", acrescentou.

Ao conceder a ela o Prêmio Nobel, a Academia Sueca considerou Doris Lessing "uma autora de contos épicos da experiência feminina que, com ceticismo, ardor e uma força visionária, analisa uma civilização dividida".

A reação da escritora ao anúncio foi um capítulo à parte na história da premiação.

"Oh Jesus", murmurou, deixando com dificuldade um táxi com suas compras, ao saber da notícia da boca de vários jornalistas que a aguardavam em frente a sua casa em West Hampstead, na zona norte de Londres.

Doris Lessing foi criada na Rodésia, atual Zimbábue, onde seu pai tinha uma fazenda isolada.

Ela estudou em um internato religioso, de onde saiu aos 14 anos para trabalhar como assistente familiar e telefonista, até iniciar sua carreira influenciada por autores como Charles Dickens e Leon Tolstoy.

Fugindo de seu segundo marido, a escritora foi viver em Londres em 1949 com seu filho mais novo, deixando na África uma filha e seu filho mais velho, nascidos de um primeiro casamento.

"Não há nada de mais irritante para uma mulher inteligente do que perder um tempo infinito com crianças. Eu teria acabado alcoólatra ou uma intelectual frustrada, como minha mãe", disse certa vez.

Na capital britânica, ela entrou para o Partido Comunista, mas deixou a formação em 1956 enquanto acontecia o levante húngaro, esmagado pelas tropas soviéticas.

Seu engajamento político a levou também a entrar na luta contra o apartheid, o que rendeu o romance "Going Home" (1957), no qual denuncia o regime de segregação racial na África do Sul.

Em "The good terrorist" (1985), ela conta a história de um grupo de jovens revolucionárias da extrema-esquerda.

Com "O carnê dourado", publicado em 1962, Lessing atingiu o ápice de sua carreira com uma obra considerada uma referência para gerações de feministas. O livro conta a história de uma escritora bem sucedida que tem quatro diários: um negro para a sua obra literária, um vermelho para suas atividades políticas, um azul no qual tenta encontrar a verdade através da psicanálise e um amarelo para sua vida particular. No quinto, um caderno dourado, ela deve fazer uma síntese impossível de sua vida.

Em 2007, Doris Lessing se tornou a pessoa mais velha a receber o Prêmio Nobel de Literatura. Mas, alguns dias depois, ela considerou a distinção uma "catástrofe": "Tudo o que fiz foi conceder entrevistas e tirar fotos", lamentou.

Em maio de 2008, Lessing confessou em uma entrevista à BBC Radio 4 que tinha parado de escrever porque não encontrava mais energia. Ela deixou para trás sua filha e dois netos.

"Ela sabia contar as experiências dos outros com palavras que eles não encontravam. A meu ver, seus livros ficarão para a posteridade", reagiu Per W?stberg, escritor e membro da Academia Sueca.

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