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Jornalista em zona de guerra: uma profissão cada vez mais perigosa

03/11/2013 13h46

PARIS, 03 Nov 2013 (AFP) - Os dois jornalistas franceses sequestrados e assassinados no sábado, no Mali, se juntam a uma longa lista de repórteres mortos este ano, depois de um triste recorde em 2012, o que revela o crescente perigo do exercício da profissão em zonas de conflito.

Claude Verlon e Ghislaine Dupont, dois jornalistas da rádio RFI foram sequestrados no sábado em Kidal por um grupo armado e, em seguida, mortos a tiros, informou o ministério francês das Relações Exteriores.

"Sequestrar jornalistas que não estão envolvidos no conflito é grave. Mas sua execução é ainda mais aterrorizante. Este assassinato é muito preocupante", disse Christophe Deloire, presidente da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF).

Embora as circunstâncias do ocorrido ainda sejam desconhecidas, o ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, atribuiu neste domingo a morte dos profissionais a "terroristas" e disse que os repórteres foram "assassinados a sangue frio."

A França começou em janeiro uma ofensiva militar no Mali, um país que, segundo a RSF, ocupa a 99ª posição na classificação mundial de liberdade de imprensa, "uma queda de 74 posições em relação a 2012".

O ano de 2012 foi marcado pelo número recorde de 88 jornalistas mortos no mundo. Com a guerra civil na Síria, as milícias na Somália e as represálias do Talibã no Paquistão, "2012 foi o ano mais mortal para a profissão desde que começamos nossa balanço anual, em 1995", informou à AFP Christophe Deloire.

"Este ano já morreram 43, um índice que nos preocupa. A cada ano o total de mortos não para de subir", acrescenta.

Segundo a RSF, apenas na Síria morreram 25 profissionais desde março de 2011, incluindo sete jornalistas estrangeiros, quatro deles franceses.



Imagem negativa dos jornalistas Os sequestros também estão se tornando mais frequentes e são a principal preocupação dos repórteres. Pelo menos 16 jornalistas estrangeiros, quatro deles franceses, estão desaparecidos, segundo a RSF, um número que não inclui os casos que as famílias dos profissionais não quiseram tornar públicos.

As condições de trabalho dos jornalistas em zonas de conflito continuam piorando, diz a repórter francesa Florence Aubenas, presidente do comitê de apoio aos jornalistas sequestrados na Síria, que passou meses sequestrada em 2005 no Iraque.

"Quando comecei a fazer grandes reportagens em Norte-Kivu (na região da República Democrática do Congo), em 1994, ser jornalista garantia uma espécie de proteção. As pessoas entendiam que não estávamos envolvidos e exibíamos "IMPRENSA" com orgulho em nossos veículos. Ninguém mais faz isso porque não nos protege, pelo contrário. Esta mudança nos últimos 20 anos me surpreende muito", avalia.

De acordo com Aubenas, a imagem dos jornalistas na zona de conflito mudou. "Antes, os jornalistas internacionais eram considerados testemunhas neutras. Mas agora este respeito foi em parte perdido e somos vistos como testemunhas comprometidas", lamenta a repórter.

"Na Síria, a mudança é impressionante. Quando estive lá há um ano e meio, as pessoas nos recebiam e nos protegiam. Mas, pouco a pouco, nossa imagem foi se deteriorando a ponto de os sírios nos dizerem que não fazemos nada por eles, referindo-se à decisão dos países ocidentais de não intervir militarmente no país", afirma Aubenas.

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