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Literatura erótica faz sucesso em Guantánamo

Karel Prinsloo/Efe
A escritora britânica E.L. James com cópia do livro "Cinquenta Tons de Cinza" em livraria de Londres, no Reino Unido Imagem: Karel Prinsloo/Efe

Na Base Naval de Guantánamo

16/08/2013 12h49

Em Guantánamo, os presos não leem apenas o Corão: a literatura erótica também faz sucesso com o livro "Cinquenta Tons de Cinza", assim como as revistas de futebol.

O representante democrata Jim Moran fez a revelação depois de uma vista à base naval americana na ilha de Cuba. Ele disse que o livro erótico, escrito pela britânica E.L. James em 2011, é o mais solicitado entre os detentos do campo 7.

Nesta área estão 12 presos sob vigilância máxima, incluindo os cinco acusados pelos atentados de 11 de setembro de 2001 e outros detentos que passaram pelas prisões secretas da CIA, onde muitos foram submetidos a interrogatórios com tortura.

Um bibliotecário de Guantánamo afirmou à AFP que os livros e vídeos que contêm "muito sexo, muita violência, extremista ou racial" são diretamente erradicados e estritamente proibidos na biblioteca que oferece até 18.000 obras.



== Pornô para mães nas mãos de islamistas ==



Milton, um funcionário do Pentágono, é responsável por ler ou assistir as obras, filmes e jogos solicitados pelos reclusos dos campos 5 e 6, outras áreas onde estão muitos dos 166 prisioneiros de Guantánamo.

Posteriormente, ele entrega um relatório a um conselho cultural, que decide se autoriza os pedidos dos detentos. Milton afirma que descarta de cara as obras "pornográficas e violentas".

Mas a trilogia de E.L. James, catalogada como "pornô para mães", chegou às mãos dos reclusos, inclusive dos islamistas mais extremistas.

"Não há nenhuma restrição sobre este livro", contou à AFP a capitã Andi Hahn, confirmando pela primeira vez a presença da obra na biblioteca do campo 7, a qual os detentos dos campos 5 e 6 não têm acesso.

"Está autorizado. Qualquer livro pedido por um detento será autorizado, desde que não criem polêmica no campo", afirmou Hahn.

Mas é impossível saber se "Cinquenta Tons de Cinza", um best-seller que vendeu mais de 70 milhões de exemplares em todo o mundo, chegou aos detentos pela via oficial ou por um circuito não autorizado.

"Não passou por nós, não temos aqui", afirmou o bibliotecário dos campos 5 e 6.

"Não tenho ideia do que fazem do outro lado", completou, em referência ao campo 7.

Ninguém tem autorização para revelar o que acontece na área de alta vigilância. O acesso é restrito a visitas pontuais, como as de congressistas autorizados.

Foi em uma das visitas que o representante Moran soube, da boca do próprio comandante do campo 7, que o livro erótico é um sucesso entre os reclusos.

"Imagino que não acontece grande coisa. Os caras não têm nada para fazer, então perguntam 'por quê não?'", comentou Moran.

Para o congressista, a notícia desmitifica a imagem dos detentos do campo 7, conhecidos por rezar no tribunal quando suas audiências coincidem com alguma das cinco orações muçulmanas do dia.



== O sucesso de Tomb Raider ==



Em janeiro de 2012 foi encontrado na prisão um exemplar da revista Inspire da Al-Qaeda, que entrou no local em um contrabando, o que provocou um reforço do métodos de revista do correio entre detentos e advogados.

Como qualquer documento de influência islamita, a revista da Al-Qaeda na Península Arábica (AQPA), que opera principalmente no Iêmen, está proibida para qualquer réu suspeito de vínculos ou atividades terroristas.

Os reclusos do campo 7, considerados durante muito tempo como homens extremamente perigosos - mas que atualmente são simples detentos sem indiciamento -, têm acesso a uma ampla variedade de livros, do âmbito religioso a romances policiais, além de revistas médicas.

Todos podem, por exemplo, ler a famosa saga "Harry Potter" em árabe, russo, francês, pashtune, farsi, urdu e, obviamente, inglês.

Nos campos 5 e 6, "as obras religiosas em árabe são mais solicitadas", destacou Milton.

Mas os documentários e revistas de futebol também são um grande sucesso, assim como os jogos eletrônicos como "Tomb Raider", que teve a ilustração de Laura Croft na caixa borrada com uma caneta marca-texto por um detento, que considerou a personagem muito sexy.

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