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Ancestrais pré-históricos usavam palavras similares às de hoje

08/05/2013 12h27

WASHINGTON, 08 Mai 2013 (AFP) - Linguistas britânicos determinaram que nossos ancestrais que viveram há 15 mil anos podem ter usado algumas palavras reconhecíveis hoje em várias línguas modernas, de acordo com um estudo publicado nos Estados Unidos esta semana.

Alguns substantivos, verbos, adjetivos e advérbios descenderam de palavras de uma linguagem comum aos homens que se extinguiram há 15.000 anos, explica Mark Pagel, professor de biologia evolutiva na Universidade de Reading, no Reino Unido, e principal autor deste estudo que constatou que algumas das palavras mais comuns, tais como pronomes, são mais propensas a permanecer da mesma forma por milênios.

As palavras comuns como eu, você, nós, mãe e casca (respectivamente I, you, we, mother, man e bark em inglês) têm, em algumas línguas, o mesmo sentido e quase o mesmo som que tinham antes, determinaram os linguistas.

Utilizando um modelo informático, os pesquisadores foram capazes de determinar que certas palavras mudaram muito lentamente ao longo do tempo e que podem ter mantido os traços de seus ancestrais nos últimos 10.000 anos ou mais.

Estas palavras indicam a existência de uma grande família linguística que unifica sete grupos de línguas na Eurásia, revelaram os pesquisadores.

Até então, os linguistas se baseavam apenas no estudo de sons semelhantes entre as palavras para identificar aquelas que, provavelmente, derivaram de ancestrais comuns, como o "pater" em latim e "father" em inglês.

Mas esta abordagem tem a desvantagem de, às vezes, aproximar as palavras de sonoridade semelhante, mas com sentido diferente, como no caso de "team" (time) e "cream" (creme).

Para evitar esse problema, a equipe do professor Pagel partiu do princípio que as palavras usadas diariamente foram possivelmente preservadas por períodos muito longos. E com base neste aspecto preveem as palavras que têm uma sonoridade próxima.

"A forma como usamos determinadas palavras na linguagem cotidiana é comum a todas as línguas da humanidade", declarou Pagel em um comunicado.

"Descobrimos que os substantivos, pronomes e advérbios são substituídos com muito menos frequência, uma vez a cada 10.000 anos ou mais".

Assim, "as palavras usadas mais de uma vez em mil na linguagem cotidiana têm de sete a dez vezes mais chance de ir longe na superfamília ancestral das línguas eurasianas", estimaram os pesquisadores, cujo trabalho foi publicado na terça-feira no Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Em sua pesquisa anterior, Mark Pagel demonstrou a evolução de 7.000 línguas faladas no mundo de hoje e revelou como e por que a linguagem é usada e a razão para o desaparecimento de algumas palavras.

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