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Ken Loach continua combativo e sonhador aos 77 anos

06/05/2013 12h18

PARIS, 06 Mai 2013 (AFP) - O cineasta britânico Ken Loach, que completará 77 anos em junho, continua combativo e sonhando com um mundo melhor, como comprova seu trabalho mais recente, "Espírito de 45".

Em uma entrevista em um antigo cinema do Bairro Latino de Paris, Loach falou sobre o filme, um comovente documentário sobre os anos posteriores à Segunda Guerra Mundial, quando o governo trabalhista eleito após o conflito criou o "Estado do bem-estar".

Mas o cineasta também falou sobre a situação atual do cinema e da televisão, que não refletem, segundo ele, o caos na Grã-Bretanha e Europa, com um desemprego em alta e o avanço da extrema-direita.

"A sociedade não funciona, é um caos", afirmou Loach, cujo filme tem um olhar nostálgico sobre as esperanças e sonhos de uma vida melhor geradas pela instauração de medidas como "seguro médico para todos".

Fiel a sua visão do cinema como arma de luta política e social, Loach expressou a esperança de que "Espírito de 45" possa "oferecer pistas para sair" da situação atual, que se assemelha, opinou, a dos terríveis anos anteriores à guerra, quando uma grande parte da população vivia afetada pelo desemprego e a a pobreza.

"Com este filme quero recordar que garantias como um seguro médico para todos, casa decente e ajudas aos desempregados e aos idosos são possíveis, e que não são um ato de Deus", declarou Loach, para quem "o livre mercado e o capitalismo nunca podem prover uma vida digna e segura para a maioria da população".

As declarações, e sobretudo o espírito do diretor, lembram o por quê do nome de Loach ser, há muitos anos, sinônimo de um cinema comprometido com a realidade e com a luta para construir um mundo melhor.

Uma das coisas que mais afetam o cineasta britânico é a falta de esperança dos jovens, não apenas na Grã-Bretanha.

"Nos tempos atuais, os jovens não acreditam que poderão ter um emprego, uma casa ou prover por uma família", lamenta o diretor, que em 2006 venceu a Palma de Ouro do Festival de Cannes por "Ventos da Liberdade", sobre o conflito da independência da Irlanda.

A visão de Loach também é muito crítica a respeito da indústria do cinema e da televisão, com executivos e produtores "obcecados" com a audiência.

O lema dominante parece ser fazer "cinema feliz para gente feliz", observa Loach, cujo cinema tem sempre um sabor de veracidade e naturalidade.

Apesar do mundo cada vez mais conservador que o cerca, Loach não perde o ânimo, nem a vontade de trabalhar.

"Há tanto ainda por fazer", disse, antes de revelar que está trabalhando no próximo filme com o roteirista Paul Laverty, um advogado e cineasta escocês que colaborou com ele em nove produções.

Mas o cineasta confessa que às vezes pensa na aposentadoria.

"Em alguns momentos me sinto como um velho cavalo de corrida, que não tem certeza se poderá completar a corrida", afirma o cineasta com mais filmes premiados em Cannes.

O recorde foi estabelecido ano passado, quando recebeu o Prêmio do Júri de Cannes com "A Parte dos Anjos".

Loach já havia sido premiado duas vezes com o Prêmio do Júri de Cannes, por "Raining Stones", em 1993, e em 1990 por "Agenda Secreta". Também recebeu o prêmio de melhor roteiro de 2002 por "Sweet sixteen".

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