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ONU lamenta recorde de jornalistas assassinados

03/05/2013 17h11

SAN JOSE, 03 Mai 2013 (AFP) - As Nações Unidas celebram nesta sexta-feira o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa com um triste recorde de 121 jornalistas assassinados em 2012.

Síria, México e Honduras são os países mais perigosos para o exercício da profissão.

"Nos últimos dez anos mais de 600 jornalistas foram assassinados, muitos deles enquanto trabalhavam em situações conflito, e nove em cada dez casos permanecem impunes", lamentou a diretora da Unesco, Irina Bokova, durante uma coletiva de imprensa em San José, na qual foi apresentado o prêmio Liberdade de Imprensa 2013 para a jornalista etíope Reeyot Alemu, presa desde 2011.

Bokova considerou "alarmantes" as estatísticas segundo as quais a cada semana um jornalista é assassinado no exercício de sua profissão, e afirmou que "as coisas não podem continuar assim", vinte anos depois de celebrar pela primeira vez o Dia da Liberdade de Imprensa.

O ano de 2012 foi o "mais mortífero para a imprensa", segundo a Unesco e a organização Repórteres Sem Fronteiras, que publicou sua lista 2013 de "Predadores da liberdade de informar", que inclui 39 nomes de líderes de Estados, políticos, religiosos, milícias e organizações criminosas que censuram, prendem, sequestram, torturam e assassinam jornalistas.

"Os países que lideram a lista de nações com o maior número de profissionais da imprensa assassinados são México (...) e Honduras", declarou em San José Janis Karlins, vice-diretor de Comunicação e Informação da Unesco.

O México registrou 86 jornalistas assassinados e outros 18 desaparecidos desde 2000, enquanto em Honduras trinta jornalistas foram mortos nos últimos nove anos, segundo a RSF.

Jornalistas mexicanos que foram sequestrados ou ameaçados em regiões "silenciadas" pelo crime vivem agora no exílio em seu próprio país, abandonados pelas autoridades e com carreiras interrompidas.

Na Síria, o regime dificilmente concede licenças a jornalistas, enquanto os grupos rebeldes e a crescente tensão no país complicam ainda mais o trabalho.

Nesta sexta-feira, o porta-voz da família do jornalista americano James Foley, desaparecido há seis meses na Síria, afirmou que ele é mantido em detenção pelo serviço de inteligência do regime.

A conferência em San José, que termina no sábado, condenou um atentado na noite de quarta-feira contra o jornalista Ricardo Calderón, que denunciou irregularidades em uma prisão militar.

A relatora de direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos, Catalina Botero, também pediu em San José para que as autoridades investiguem o caso.

Em uma mensagem da etíope Reeyot Alemu lida na cerimônia, a jornalista contou que em seu país o exercício do jornalismo é "uma questão de vida ou morte", mas disse que prefere isso "a abaixar a cabeça e silenciar".

O que resta é lutar para expor as verdades daqueles que "lutam por seus direitos e são presos como terroristas", acrescentou.

"Peço-lhes que façam o possível para impedir a opressão à imprensa", concluiu Alemu em sua mensagem lida por Alana Barton, da Fundação Internacional das Mulheres na Mídia, que informou que a etíope está doente devido aos "castigos constantes e arbitrários infligidos" contra a jornalista.

Bokova observou que a Unesco tem um mandato para promover e proteger a liberdade de expressão. Desta forma, tem o poder de implementar um plano para proteger e lutar contra a impunidade, que deveria ser adotado por todo o sistema das Nações Unidas e por todos os seus Estados membros.

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