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Morre o francês Stéphane Hessel, autor de "Indignai-vos!"

EFE
Intelectual francês Stéphane Hessel, autor do livro "Indignai-vos!" Imagem: EFE

27/02/2013 09h15

O intelectual francês Stéphane Hessel, autor do livro "Indignai-vos!", que inspirou movimentos de protesto em todo o mundo, faleceu na noite de terça-feira aos 95 anos, anunciou à AFP sua esposa, Christiane Hessel-Chabry.

Stéphane Hessel nasceu em 20 de outubro de 1917 em Berlim, mas se mudou para a França aos oito anos e adquiriu a nacionalidade francesa em 1937. Membro da resistência e deportado durante a Segunda Guerra Mundial, e depois embaixador da França, Hessel, homem de esquerda e europeísta convencido, era conhecido pela defesa dos direitos humanos, do direito de asilo, dos imigrantes e dos direitos dos palestinos.

Escreveu muitas obras, mas foi o pequeno livro "Indignai-vos!, publicado em 2010 e no qual defendia o espírito de resistência, que lhe rendeu fama mundial.

Entre as primeiras reações, o presidente do Parlamento Europeu, o social-democrata alemão Martin Schulz, saudou "o grande europeu, sempre comprometido, nunca satisfeito, impulsionado por um espírito de combate e de liberdade".

Na França, as declarações de homenagem de personalidades políticas são inúmeras. O primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, afirmou que "Stéphane Hessel encarnava o espírito de resistência", "a força do combate contra todas as injustiças" e era para "todas as gerações uma fonte de inspiração" encarnando "a fé no futuro deste novo século".

"Indignai-vos!", livro-manifesto que convoca a insurreição pacífica, ressoou em todo o mundo, com mais de 4 milhões de exemplares vendidos em 35 países. Acompanhou os levantes populares nos países árabes e serviu de bandeira aos movimentos de protestos dos indignados nos países ocidentais, de Espanha e Grécia aos Estados Unidos, onde inspirou o movimento "Occupy Wall Street".

"Buscar um sentido à aventura humana"
Entrevistado em 2012 pela AFP, Stéphane Hessel afirmou que continuava surpreso por este sucesso. "Isto se explica por um momento histórico. As sociedades estão perdidas, se perguntam como fazer para avançar e buscam um sentido à aventura humana", disse.

Em 2011, publicou "Empenhai-vos!", livro de entrevistas, além de "Exija!", um chamado contra a arma nuclear. Em 2012, publicou na França "Declaremos a paz", livro de conversas com o Dalai Lama.

Entre as suas obras também figuram "Danse avec le siècle" ("Dança com o século", 1997), "Dix pas dans le nouveau siècle" ("Dez passos no novo século", 2002), "Citoyen sans frontières" ("Cidadão sem fronteiras", 2008) e "Le Chemin de l'espérance" ("O caminho da esperança", 2011), escrito junto com o sociólogo Edgar Morin.

Era filho de Franz Hessel e de sua esposa Helen Grund, que inspiraram junto com o escritor Henri-Pierre Roché a história de "Jules et Jim", levada ao cinema pelo diretor François Truffaut.

Naturalizado francês em 1937, estudou na Escola Normal Superior de Paris e se graduou em filosofia.

Foi convocado em 1939 no início da guerra e se uniu às Forças Francesas Livres em 1941. Detido pela Gestapo, foi deportado em 1944 ao campo nazista de Buchenwald, no qual ocultou sua identidade para escapar da morte e do qual fugiu.

No fim da guerra, empreendeu uma carreira diplomática no secretariado-geral da ONU (1946-1951). Nas Nações Unidas, participou da elaboração da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Assumiu posteriormente vários cargos na função pública e na diplomacia francesa. Se aposentou em 1983, mas Stéphane Hessel nunca abandonou seu combate às injustiças.

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