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Quadro de Delacroix é atacado em museu francês

08/02/2013 17h43

LENS, França, 08 Fev 2013 (AFP) - O famoso quadro "A Liberdade Guiando o Povo", de Delacroix, foi alvo de vandalismo por uma visitante que desenhou uma misteriosa inscrição "AE911" na tela exposta no museu do Louvre de Lens, no norte da França.

Esta mulher de 28 anos foi imediatamente detida e colocada sob custódia. O psiquiatra que a examinou nesta sexta-feira constatou a "inimputabilidade penal" da mulher e pediu sua hospitalização em uma clínica psiquiátrica, indicou uma fonte da justiça.

Ela "tem seu discernimento distorcido por um problema psiquiátrico", explicou.

O incidente ocorreu na noite de quinta-feira, pouco antes do fechamento do Louvre-Lens, uma filial recentemente inaugurada do prestigiado museu de Paris.

A inscrição em caneta preta de 30 centímetros de comprimento e seis centímetros de altura foi "integralmente apagada" e a obra-prima de Delacroix está intacta, informou em um comunicado a direção do Louvre.

Segundo o diretor do departamento de pintura do Louvre, Vincent Pomarède, que viajou esta manhã para examinar o quadro, "o verniz aplicado na tela desempenhou o seu papel" de proteção.

Uma restauradora precisou de menos de duas horas para apagar a inscrição nesta manhã. A intervenção foi feita sem a necessidade de retirar a obra, de grandes dimensões (3,25 m por 2,60).

"Será que ela agiu sob a influência de algum delírio ou por alguma reivindicação?", questionou o promotor de Bethune, Philippe Peyroux, sobre essa mulher até então desconhecida pela justiça.

"Não é o ato de uma pessoa equilibrada"

A visitante, que foi detida por um guarda do museu ajudado por um visitante, foi interrogada pela polícia. "Cabe descobrir qual o significado que esta inscrição pode ter para ela", ressaltou o procurador".

A inscrição AE911 refere-se a um site onde que divulga teorias de conspiração sobre os atentados de 11 de Setembro, "exigindo do Congresso americano uma investigação verdadeiramente independente" sobre os ataques.

"Não é o ato de uma pessoa equilibrada", disse o procurador, acrescentando ter pedido que a mulher seja examinada por um psiquiatra.

A obra-prima de Delacroix, emprestada pelo Museu do Louvre de Paris, estava, a princípio, protegida por uma barreira de distanciamento. No entanto, a segurança será reforçada após este incidente, indicou o diretor Dectot.

Em frente à entrada de vidro do edifício aberto ao público no dia 12 de dezembro, alguns turistas belgas mantiveram o senso de humor.

"Viemos da Bélgica, foi uma longa viagem para não vermos nada", declarou Jean-Pierre Vandermeulen, de Bruxelas, que veio com uma dúzia de amigos do Rotary Club.

Desde a sua abertura oficial, o Louvre-Lens, que expõe várias grandes obras das coleções do Museu do Louvre, já recebeu mais de 205.000 visitantes.

Outros incidentes deste tipo já ocorreram em museus ilustres. Em Paris, a Mona Lisa de Leonardo da Vinci foi alvo de uma turista russa que jogou chá na obra em 2009, felizmente sem consequências.

Em 1º de abril de 2011, na National Gallery de Washington, uma visitante tentou destruir uma das mais famosas telas de Gauguin, "Duas taitianas", porque retratava uma cena de nudez e homossexualidade.

Pintado em 1830, "A Liberdade Guiando o Povo" foi inspirado pelos revolucionários dos 27, 28 e 29 de julho de 1830, os "Três Dias Gloriosos".

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