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A 'Cinderela escocesa' Susan Boyle retorna em um musical

28/03/2012 12h32

NEWCASTLE, Reino Unido, 28 Mar 2012 (AFP) -Susan Boyle foi longamente aplaudida na noite de terça-feira em Newcastle, na estreia de um musical que faz uma retrospectiva da trajetória desta ex-desempregada escocesa com "voz de ouro", que se tornou uma estrela planetária graças a um programa de televisão em 2009.

Radiante em um vestido vermelho, Boyle interpretou a canção que a lançou à fama e que dá nome ao musical, "I Dreamed A Dream", diante de um público entusiasmado que gritava "Susan, te amamos" no teatro Royal desta cidade do nordeste da Inglaterra.

"Esteve sensacional. Valeu a pena vir do outro lado do mundo para vê-la", afirmou Cathy Garraway, uma mulher de Sydney, Austrália, de 49 anos.

A atuação era particularmente esperada porque a artista, católica fervorosa, não havia voltado a se apresentar no Reino Unido desde que cantou para o papa Bento XVI em Birmingham, em setembro de 2010.

A atriz Elaine Smith interpreta Susan Boyle no musical, mas a sensação desta noite de estreia foi o aparecimento da cantora para duas canções no fim do espetáculo.

O musical revive o conto de fadas desta filha de imigrantes irlandeses que tinha nove irmãos, foi alvo de zombaria na escola devido a um leve retardo mental e encontrou no canto um refúgio para sua timidez.

Boyle, que aos 50 anos continua vivendo na modesta casa da localidade escocesa de Blackburn, onde cresceu, "nunca havia sido beijada" por um homem antes de alcançar a fama.

Há três anos ainda era uma mulher gorda e descabelada que cantava em corais, igrejas ou bares. Mas tudo mudou durante o casting para um programa de televisão, onde os comentários irônicos pararam imediatamente quando começou a cantar.

Sua versão do tema principal de "Los Miserables", "I Dreamed A Dream", conquistou o júri e, sobretudo, o público.

O vídeo foi visto 500 milhões de vezes no YouTube, e seus três álbuns totalizam 16 milhões de cópias vendidas.

O musical retoma momentos emotivos, cômicos ou até cruéis. Narrado como se a própria Boyle estivesse contando sua vida, suas lembranças brotam como sonhos, em meio a danças e canções.

Smith, eleita pessoalmente por Boyle para encarná-la e co-autora do espetáculo, explicou que "não queria fazer uma história melosa", embora tenha admitido que "o equilíbrio era delicado entre os momentos felizes e os momentos de grande emoção".

"O que me fascinou é o lado comum desta mulher e sua trajetória pessoal. Durante 20 anos, todo o mundo viveu com a ideia de que se uma mulher não era alta, magra, loira e linda, não contava. Susan fez tudo isso voar em pedaços", acrescentou.

Boyle participou da concepção do musical, elegendo as canções de seus discos e as músicas associadas aos momentos chave de sua vida, mas ainda não teve coragem de vê-lo inteiro.

A cantora, que precisou ser hospitalizada no início de sua fulgurante carreira devido à atenção que despertou, continua sendo frágil, embora não tenha transparecido isso em sua atuação de terça-feira.

O musical permanecerá uma semana em cartaz em Newcastle, antes de iniciar um giro pelo Reino Unido, embora possa continuar depois por Europa, Canadá, Estados Unidos e Austrália.