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'Tabu' de Miguel Gomes vence prêmio da crítica internacional

17/02/2012 19h04

BERLIM, 17 Fev 2012 (AFP) -O filme "Tabu", do português Miguel Gomes, ganhou nesta sexta-feira em Berlim o prêmio da Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica (FIPRESCI), a associação de críticos de cinema.

"Tabu", com a atuação do ator brasileiro Ivo Muller e coproduzida pelo também brasileiro Fabiano Gullane, que colaborou com 20% do orçamento, é um dos 18 filmes que concorrem ao Urso de Ouro da Berlinale que será entregue no sábado à noite.

"O cinema português, que tem uma história de mais de cinquenta anos, é feito com orçamentos modestos. Investimos, sobretudo, muita energia em fazer Tabu", declarou Gomes ao receber o prêmio.

Este filme em preto e branco é a história de um amor, envolvendo adultério entre uma portuguesa, Aurora, interpretada por Laura Soveral, e um aventureiro italiano, interpretado pelo ator português Henrique Espírito Santo, na época da África colonial.

"Tabu é um filme sobre o tempo que passa, sobre as coisas que desaparecem e que só existem como lembranças, fantasmagoria e imagens, como o cinema, que reúne tudo isso. Há uma grande elipse no filme, que nos leva a cinquenta anos atrás, vamos da velhice à juventude, da época da ressaca à culpa pelo tempo do excesso, de uma época pós-colonial ao colonialismo", explicou Gomes.

Filmada em Moçambique, uma das ex-colônias portuguesas na África, "Tabu" lembra os filmes do alemão Friedrich Murnau, um dos mais influentes diretores da era do cinema mudo.

"Não há nenhuma colina chamada Tabu em Moçambique, não temos que acreditar no que vemos no cinema. Filmamos no norte da província de Zambezia, próximo à fronteira com o Malauí", disse Gomes.

"A guerra entre Portugal e suas antigas colônias (Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Cabo Verde) começou em meados dos anos 60 e terminou em 1974, quando esses países proclamaram sua independência e o regime fascista caiu com a Revolução dos Cravos, de 25 de abril", acrescentou o cineasta, cuja mãe nasceu em Angola.

A narração começa em Lisboa, quando Aurora já está idosa e perdendo a razão. Antes de morrer pede que sua empregada de Cabo Verde, chamada Santa, e sua vizinha Pilar, que procurem um homem chamado Gian Luca Ventura (Henrique Espírito Santo), amante que ela teve em Moçambique quando estava ali, casada com um jovem colono, interpretado pelo brasileiro de origem alemã Ivo Muller.

"Meu filme quer falar de temas como a velhice e a juventude, a solidão e a possibilidade do amor, saber se é possível um casamento feliz nesse mundo de injustiça que era a colônia", acrescentou.

"Há uma dicotomia entre esse paraíso e sua perda, era uma oposição que quis destacar. A segunda parte do filme é a história dessa época colonial. Queria que a melancolia da primeira parte contaminasse a euforia da segunda", disse.

"A crítica implícita do colonialismo, a crítica dessa sociedade, não exclui a beleza, a evocação de algo que foi derrubado. Em meio a esse mundo onde os brancos eram os donos quis pintar as premissas do que estava por vir: a bomba-relógio demográfica, a guerra e essa história de amor condenada a fracassar", explicou Gomes.

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