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Casas de bonecas, um monopólio das meninas?

08/02/2012 18h51

HAIA, Holanda, 8 Fev 2012 (AFP) -As casas de bonecas seriam reservadas apenas às meninas? Esta, pelo menos, não era a opinião dos ricos holandeses e alemães dos séculos XVII e XVIII, que mandavam construir verdadeiras obras de arte em miniatura e que ainda hoje custam uma fortuna, como se conclui de uma exposição realizada em Haia, na Holanda.

"Tratava-se, principalmente, de um hobby para as damas: havia muito dinheiro a gastar, tempo disponível e fazia parte, também, de uma atividade social", contou à AFP Jet Pijzel-Dommisse, curadora da exposição XXSmall, que ficará no Museu Municipal de Haia até o dia 25 de março.

"A moda de casas de bonecas para as damas nasceu em Nuremberg (sudeste da Alemanha) no início do século 17 e se propagou além do Reno e da Holanda vizinhos, que, durante o 'século de ouro'", conheceram uma prosperidade excepcional, graças, principalmente, ao comércio marítimo.

Podendo chegar a até dois metros de altura e de largura, cheias de verdadeiros tesouros, elas poderiam custar, às vezes, tão caro como uma casa de verdade.

A mulher de um rico mercador de seda de Amsterdã, Petronella Oortman, teria comprado sua casa de bonecas por mais de 20.000 florins na época, "ou seja, o preço de uma grande casa ao longo do canal de Amsterdã", destacou Pijzel-Dommisse.

As paredes da casa de bonecas de Sara Rothé, casada com um rico comerciante de Amstel, na periferia de Amsterdã, exposta em Haia, são cobertas de quadros em miniatura, de alguns centímetros quadrados, pintados por verdadeiros artistas.

- Cobertas de prata e faiança - Na salinha de jantar, a mesa apresenta-se posta, com talheres de prata maciça e pratos de faiança, a biblioteca possui livros minúsculos.

Um pouco mais longe, numa casa vizinha, uma empregada se dedica a seu serviço na cozinha enquanto a dona da casa descansa no salão, embalada pelo tique-taque regular de um relógio. "Na época, tudo era produzido por verdadeiros artesãos e artistas que faziam, também coisas para gente grande", explicou a curadora.

Além do passatempo agradável permitindo gastar o dinheiro supérfluo com o símbolo de um certo status social, as casas de bonecas desempenhavam um verdadeiro trabalho social e educativo, influenciado pela religião protestante, segundo Pijzel-Domisse.

"A vida em casa era muito mais importante nos países protestantes do que nos católicos, onde a igreja era o centro. Era, então, mais importante, nas nações protestantes, mostrar como uma boa casa funcionava", contou ela.

Amigos e vizinhos vinham admirar as casas, com frequência acompanhados de seus filhos que viam como os lares deveriam ser administrados, acrescentou.

Após a revolução industrial, as casas de bonecas e seus acessórios tornaram-se mais padronizados.

De qualquer forma, as casas de bonecas ainda fascinam. Mais de 86.000 visitantes já admiraram as que estão expostas em Haia desde novembro.

"São muito bonitas e incrivelmente pequenas", se entusiasmou Eva Mits, uma holandesa de 78 anos. "Aprende-se muito sobre a vida de antigamente, como as casas funcionavam, e quais eram os costumes e a vida das mulheres", continua ela, extasiando-se diante de uma cadeira de madeira esculpida, de apenas dois centímetros de altura.

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