Topo

Entretenimento


Inglaterra celebra o bicentenário de Charles Dickens

06/02/2012 15h49

LONDRES, 6 Fev 2012 (AFP) -O Reino Unido celebra nesta terça-feira o bicentenário do nascimento de Charles Dickens, um dos grandes clássicos aclamados da literatura universal, que teve seus romances adaptados profusamente para o cinema e o teatro.

Estão programados vários eventos para marcar o aniversário, entre eles uma festa popular na cidade litorânea de Portsmouth (sul da Inglaterra) onde nasceu, no dia 7 de fevereiro de 1812.

O príncipe Charles, herdeiro da Coroa britânica, e o conhecido ator Ralph Fiennes vão participar de uma cerimônia no túmulo de Dickens, na abadia londrina de Westminster.

Os livros de Charles Dickens gozam ainda hoje de grande popularidade e a última de uma longa lista de adaptações, "Great Expectations" (Grandes Esperanças), protagonizada por Fiennes e Helena Bonham Carter, deve estrear ainda este ano no cinema.

Claire Tomalin, uma das biógrafas do escritor, acha que na atualidade ninguém pode ser comparado a Dickens.

"Possuía uma energia extraordinária, sendo um trabalhador incansável. Seus três primeiros romances -"Os Cadernos Póstumos do Clube Pickwick", "Oliver Twist" e "Nicholas Nickleby"- foram publicadas inicialmente como folhetos que saíam uma vez por mês", explicou Claire Tomalin à AFP.

Os romances de Dickens foram influenciados por suas primeiras experiências, desde a infância feliz no sudeste da Inglaterra, antes da prisão de seu pai, por não pagamento de dívidas, até a pobreza posterior.

Aos 12 anos, foi obrigado a trabalhar numa fábrica, onde passava o dia colando etiquetas nos potes de graxa, o que inspirou outro de seus mais famosos livros, "David Copperfield", publicado em 1850.

Mais tarde, apesar de ter ido à escola de forma intermitente, Dickens foi contratado como mensageiro, num escritório de advogados. Tinha 15 anos.

"O mais extraordinária sobre sua vida é que nove anos depois tornou-se famoso como o autor de 'Os Cadernos Póstumos do Clube Pickwick'", disse Tomalin.

"Conseguiu fazê-lo aprendendo taquigrafia, relatando sessões judiciais ou parlamentares e escrevendo para um jornal", disse.

"Era um escritor genial. Depois de Shakespeare, foi o melhor inventor de personagens", acrescentou.

Dickens tinha também uma vida menos pública na qual ajudou a financiar uma casa para ajudar as "mulheres perdidas", oferecendo às prostitutas a possibilidade de começar uma nova vida.

Esta vocação vitoriana ocupou muitos anos de sua vida, mas ainda encontrou tempo para ter 10 filhos e manter uma prodigiosa produção de livros e artigos, sem esquecer as inúmeras conferências que presidia.

Ao contrário de muitos grandes escritores e artistas, Dickens foi uma estrela em sua época e, segundo a biógrafa, dava aos leitores exatamente o que queriam.

"Mostrava que as pessoas comuns eram tão interessantes quanto as ricas, famosas e fabulosas", explicou.

"E conseguiu. Era muito divertido, fazia as pessoas rirem", concluiu. "Conseguia, também, fazer com que chorassem, lendo seus escritos emocionantes".

Newsletters

Receba por email as principais notícias do UOL sem pagar nada.

Quero receber

Mais Entretenimento