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Aberto em Roma o túmulo da família de Cipião, o Africano

15/12/2011 17h30

ROMA, 15 dez 2011 (AFP) -O mausoléu, em Roma, da família Scipioni, à qual pertenceu o ilustre general Cipião, o Africano, (em latim Publius Cornelius Scipio Africanus), célebre pela atuação durante as guerras púnicas, nas quais derrotou o invasor Aníbal de Cartago, no século III a. C. será aberta ao público no dia 27 de dezembro, depois de permanecer 20 anos fechada.

A batalha de Zama (que alguns historiadores chamam de "Batalha de Waterloo" da antiguidade), foi um feito que rendeu a Cipião a alcunha de Africanus.

O monumento funerário, composto por uma série de galerias subterrâneas de dois metros de altura, com elegantes sarcófagos, está localizado junto à Porta di San Sebastiano, a algumas centenas de metros das Termas de Caracalla, um dos locais mais fascinantes da parte histórica de Roma.

A construção, que possuía na entrada um imponente edificio de colunas, foi iniciada pelo cônsul romano Lucius Cornelius Scipion Barbato.

O general Cipião, o Africano, foi o único que conseguiu derrotar Aníbal durante a Segunda Guerra Púnica, depois da invasão da Itália pelos exércitos cartagineses.

No entanto, a elegância do local traz um dado surpreendente: Cipião, o Africano, não foi enterrado aí.

Acusado de ter recibido soborno, deixou Roma e não voltou nunca mais. Diz-se que passou seus últimos dias dedicado a uma plantação em sua propriedade de Litermum (perto de Nápoles), e que antes de morrer pediu que seu corpo ficasse aí, não na Roma ingrata.

Seu pedido foi atendido e seu túmulo ainda existia em Litermum, segundo o historiador romano Tito Livio.

"Pátria ingrata, não te deixarei nem meus ossos", dizia seu epitáfio.

"Aqui se respira História", comentou Rita Volpe, arqueóloga responsável pelo monumento, em Roma, cercado de ciprestes e pinheiros.

"Estudamos as guerras púnicas no colégio e aqui estão enterrados quase todos seus protagonistas", comentou ela à AFP.

O túmulo foi descoberto por acaso, em 1780, por dois religiosos, proprietários de um vinhedo.

Os trabalhos recentes de restauração, no valor de 1,3 milhão de euros, foram financiados pela prefeitura e começaram em 2008.

A zona arqueológica foi fechada em 1992, devido às más condições do terreno e o risco de desabamentos. Estende-se por mais de 2.000 metros quadrados, até a região de Appia Antica.