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Virgem Maria é transformada em ícone da moda

13/12/2011 15h40

LYON, França, 12 dez 2011 (AFP) -O Museu de Tecidos de Lyon (centro-leste da França) está oferecendo uma exposição insólita das vestimentas da Virgem Maria, transformada em ícone da moda. Entre as curiosidades, estão um vestido ainda da época de Maria Antonieta, bordado de buquês, e até um traje de camuflagem criado por um estilista contemporâneo.

Durante séculos, os fiéis católicos expressaram sua devoção à Virgem criando, para as estátuas que a representam, um guarda-roupa rico e variado, apresentado na exposição "Ícone da Moda" que pode ser apreciada até o dia 25 de março.

As vestimentas da Virgem Negra da Basílica Nossa Senhora La Daurade de Toulouse (sudoeste) comportam, também, vinte trajes, que vão da roupa bordada de pequenos motivos, com laços de flores, do reinado de Luís XVI (século XVIII), aos vestidos desenhados pelos grandes da moda, apresentando padrões clássicos.

Assim, Jean-Charles de Castelbajac concebeu um traje de camuflagem, com a parte inferior em preto, ornada de paetês evocando as escamas de uma serpente, "uma inspiração tirada da iconografia da Imaculada Conceição, na qual a Virgem esmaga a serpente com os pés", explica o diretor do museu, Maximilien Durand.

O estilista Franck Sorbier confeccionou um vestido para os dias de festa com materiais dourados e prateados, em homenagem aos tecidos - de ouro ou prateados - tradicionalmente oferecidos à Nossa Senhora La Daurade. l Broc desenhou um vestido de quaresma com motivo geométrico listrado de violeta e verde. A roupa envolve a cintura da virgem com uma faixa verde, para caracterizar "esta madona da maternidade que distribui um pedaço de fita às mulheres que assim o desejarem", segundo a história religiosa, contada pelo costureiro.

"Quando vestimos uma estátua, transmitimos a ela uma presença extremamente forte, e os tecidos usados são muito preciosos", analisa Maximilien Durand, também curador da exposição, precisando que a prática desenvolveu-se entre os séculos XIII e XV.

"A Virgem muda de roupa regularmente, em função da liturgia, como os padres: branco para as grandes festas, verde para o tempo comum, violeta para o Advento e a Quaresma, e o preto para o luto", detalha ele.

Isso chega a tal ponto que a roupagem, rica de referências religiosas, torna-se um objeto de culto por si só. "Assim, o que constitui o caráter sagrado é a roupa. A estátua torna-se acessório", comenta Durand.

"O preparo não diz respeito, apenas, às grandes estátuas nos santuários e às utilizadas nas procissões, mas também às veneradas nos conventos ou em capelas", acrescentou.

O curador conta a história de um desses vestidos, oferecido por Maria Antonieta para Nossa Senhora da cidade de Monflières, na Picardia (norte), para agradecer o parto de sua filha mais velha. Encomendado à costureira real, copiava um dos próprios trajes da rainha.

"É o único modelo certificado que conservamos de Maria Antonieta, uma vez que todo o seu guarda-roupa desapareceu na revolução", explica Durand.

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