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Criador da capa do "White Album" dos Beatles, Richard Hamilton morre aos 89 anos

EFE/Andy Rain.
O artista Richard Hamilton, considerado o pioneiro da pop art Imagem: EFE/Andy Rain.

13/09/2011 15h21Atualizada em 13/09/2011 16h33

Londres - O artista britânico Richard Hamilton, conhecido como um dos pais da pop art inglesa e autor da capa do "White Album" dos Beatles, morreu na manhã desta terça-feira (13) aos 89 anos, anunciou a galeria Gagosian, que representava o artista. Richard trabalhava numa retrospectiva de sua arte, com apresentações previstas para 2013 em Los Angeles, Filadélfia, Londres e Madri.

A trajetória de Richard Hamilton foi sempre marcada pela busca do envolvimento do público no evento artístico, com suas obras apresentando vários pontos de conexão com o cotidiano. Fez parte, nos anos de 1950, de um grupo independente que utilizava a cultura urbana morderna como fonte de inspiração.

Como na pop art clássica, Hamilton toma emprestadas imagens do dia a dia para, através delas, refletir fenômenos sociais. Conheceu o sucesso com suas pinturas, colagens e esculturas, transformando em zombaria os símbolos da sociedade de consumo.

"White Album"
Richard foi também responsável pela concepção da capa do "White Album" ("O Álbum Branco") dos Beatles em 1968. Sem nenhum título, a arte apresenta apenas um fundo branco com o nome da banda em relevo. O original seria "A Dollâ's House", mas uma banda britânica chamada Family já havia lançado um álbum com nome semelhante. Foi o primeiro disco lançado após a morte do manager Brian Epstein.

Hamilton também ficou conhecido por obras políticas, como "Shock and Awe" (2007-08) que põe o ex-primeiro-ministro trabalhista britânico Tony Blair em roupa de caubói, ao decidir participar, com os norte-americanos, da invasão do Iraque, em 2003. "É uma questão de timing. Estou certo de que isso terá todo seu sentido na medida em que o tempo passar, tornando-se história. Parece-me que um artista deva se interessar por essas questões, não quero renunciar a isso", explicou ele, na época.

Após estudar o design dos artigos da empresa alemã de eletrodomésticos Braun nas décadas de 60 e 70, Hamilton projetou seu próprio produto: uma prótese dentária, fixada na ponta de uma escova de dentes elétrica, vibrando com um apertar de botão. A peça foi chamada "The Critic Laughs" ("O crítico ri"), na qual acrescentou mais um toque com sua assinatura imitando o logotipo da Braun.

Nas décadas de 40 e 50, logo após a Segunda Guerra, Hamilton questionava-se: "o que a mídia faz conosco? De que se compõe nosso mundo, que processos o estruturam, como o percebemos e compreendemos?". Como ninguém, ele soube dissecar o presente, recompondo-o de forma inesperada, acrescentando pinceladas irônicas.

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