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Buenos Aires redescobre seu passado subterrâneo e multiplica os museus

26/07/2011 14h04

BUENOS AIRES, Argentina, 26 Jul 2011 (AFP) -Um prédio da Alfândega diante do Rio da Prata transformado em museu histórico, uma casa cheia de túneis que deveria virar restaurante e acabou por mostrar a capital argentina através dos séculos: Buenos Aires redescobre seu passado subterrâneo e multiplica as criações de museus.

A mais espetacular dessas redescobertas é a última delas, a Aduana Taylor, chamada assim em homenagem ao engenheiro que a concebeu entre 1855 e 1857. Funcionou até 1894, até ser coberta de terra, nos trabalhos de construção de um novo porto, o Puerto Madero.

Depois das escavações e com algumas reformas, foi transformada em Museu do Bicentenário, ficando a alguns metros da Casa Rosada (palácio do governo): o Estado investiu 17,2 milhões de euros para oferecer ao visitante um percurso pela História recente do país. De 1810 até a presidência de Nestor Kirchner (2003-2007), falecido em outubro e marido da atual presidente, Cristina Kirchner.

"Encontramos antigos mecanismos, de madeira e ferro, que serviam para descarregar as charretes que traziam as mercadorias dos navios: nós os deixamos do jeito que eram", explicou à AFP Juan José Ganduglia, diretor do novo museu.

As galerias de finos tijolos aparentes foram mantidas: cada uma acolhe quadros, carruagens, e objetos que pertenceram a um ou outro presidente ou apresentam documentários divulgados numa tela.

Numa ampla sala central fica exposto o afresco "Exercício Plástico" (1933) do pintor mexicano David Siqueiros. Foi idealizado no teto, no solo e nas quatro paredes de uma adega da mansão de Natalio Botana (1888-1941), fundador do jornal Critica, hoje falecido.

O afresco foi recuperado pelo Estado e instalado no museu, depois de um longo processo e de cerca de 18 anos passados em contêineres.

Uma outra descoberta surpreendente, a algumas ruas de lá, ficava a casa de um cidadão, Jorge Eckstein, que adquiriu a propriedade no bairro histórico de San Telmo com a ideia de levantar ali ... um restaurante.

Durante os trabalhos de reforma, o solo cedeu na parte de trás e, pouco a pouco, começaram a aparecer túneis e muros datando de diferentes séculos. E, com isso, toda a História da cidade pôde ser seguida passo a passo: o proprietário decidiu, em 2004 de fazer daí um museu privado, chamando "El Zanjon".

Os grandes salões do século XVIII testemunham a riqueza dos antigos proprietários, mas também a vida das famílias de imigrantes que aí se instalaram no século XX. Um poço e 200 metros de túneis de tijolos fecham um antigo curso d'água que delimitava o sul da cidade: o "Zanjon de Granados".

Perto da Praça de Maio e da Casa Rosada, encontra-se a 'Manzana de Las Luces', a mansão da Luzes, no coração histórico da cidade. Aí, também, estão previstos trabalhos de reforma.

Fica no local um imenso sistema de túneis, construídos pelos Jesuítas, para defender a cidade, entre 1661 e 1767, data de sua expulsão das colônias espanholas. "O tesouro dos Jesuítas nunca foi encontrado", conta a guia, Ana Maria Di Consoli. "Mas nós não perdemos as esperanças", diz.

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