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Jornalistas lamentam, em todo o mundo, a condenação de diretores de jornal equatoriano

21/07/2011 20h27

QUITO, 21 Jul 2011 (AFP) -A condenação de três diretores e um editorialista do jornal equatoriano El Universo, acionados na justiça pelo presidente Rafael Correa, motivou nesta quinta-feira críticas de organizações de defesa da liberdade de informação e de grupos de imprensa do mundo e dos Estados Unidos.

A organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) lamentou a sentença, que considerou "perseguição judicial", em comunicado divulgado em Paris. "A situação põe em evidência uma estratégia das autoridades equatorianas de calar os meios de comunicação no país, muito criticados pelo presidente Correa", denunciou.

"Mesmo que Emilio Palacio (o ex-editor de opinião) tivesse demonstrado uma posição extrema, rejeitamos a condenação", acrescentou a RSF, que defendeu a "descriminalização da imprensa" no Equador, considerando a decisão "inoportuna", pois foi adotada "em pleno debate sobre a futura Lei de Comunicação".

Palacio escreveu, em editorial publicado no dia 6 de fevereiro, que "o ditador deveria recordar" que "no futuro, um novo presidente, talvez inimigo seu, poderia levá-lo a uma corte penal por ter ordenado fogo, sem aviso prévio, contra um hospital cheio de civis e gente inocente". O artigo se referia a ações realizadas durante rebelião policial ocorrida no dia 30 de setembro de 2010.

Os Estados Unidos se somaram à preocupação manifestada por várias organizações de defesa dos jornalistas pelas condenações a dirigentes do jornal El Universo no Equador, afirmou nesta quinta-feira à AFP um porta-voz do Departamento de Estado.

O ex-editor Emilio Palacio e os subdiretores Carlos e Nicolás Pérez foram condenados nesta quarta-feira pela justiça de Guaiaquil a três anos de prisão, e a pagar 40 milhões de dólares numa ação por injúria apresentada por Correa, por causa do texto que o chamava de "ditador".

"Nos unimos à SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) e à Comissão de Proteção dos Jornalistas, assim como a outras organizações que expressaram inquietação", disse o porta-voz da chancelaria americana. "Entendemos que vão apelar da sentença e acompanharemos de perto o processo", acrescentou. "Uma imprensa livre e independente é essencial para que uma democracia funcione bem", manifestou o porta-voz.

A SIP se referiu à sentença como "um grave golpe" à liberdade de informação, segundo seu presidente Gonzalo Marroquín, solidarizando-se com os jornalistas de El Universo.

O governo de Rafael Correa "continua com uma sistemática e intencionada campanha para acabar com a imprensa independente (...) e o patrimônio da verdade, que é direito de todos os equatorianos", acusou Marroquín em comunicado.

A SIP, uma organização de donos e editores de meios de comunicação, com sede em Miami, criticada duramente por Correa em diversas oportunidades, demonstrou, também, estranheza com "a rapidez do processo que culminou na condenação", e pediu que as "instâncias superiores" da justiça revertam a decisão.

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI), uma rede de meios e jornalistas com sede em Viena, declarou-se "escandalizada" com a sentença, que considerou "desproporcional" e "excessiva".

"Estamos escandalizados com o veredicto e o condenamos", declarou sua diretora, Alison Bethel McKenzie.

"A natureza excessiva da sentença demonstra a necessidade de eliminar da América Latina, como do resto do mundo, leis penais arcaicas e ilegítimas contra a difamação", acrescentou a diretora do IPI, dedicado a "salvaguardar a liberdade de imprensa, de opinião e de expressão".

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