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John Galliano estará nos tribunais de Paris na quarta-feira, por insultos antissemitas

19/06/2011 11h18

PARÍS, França, 19 Jun 2011 (AFP) -O então estilista da grife Dior John Galliano vai alegar dependência de álcool e de medicamentos em sua defesa, na quarta-feira, quando começará seu julgamento no Tribunal Penal de Paris por insultos antissemitas proferidos durante uma discussão com clientes, num café parisiense.

Depois da demisão da Dior por suas palavras, seu advogado Aurélien Hamelle insiste na tese de que John Galliano "nada fez"; mesmo porque está numa situação difícil: "faz tratamento para alcoolismo e dependência de remédios", sem conseguir mesmo "refletir sobre seu futuro profissional".

No dia 24 de fevereiro a carreira do estilista britânico foi abalada. Embriagado, chegou a ser levado para uma delegacia de polícia após uma briga no terraço do Bistrot La Perle, perto de sua residência em Paris. Um casal o denunciou por proferir insultos antissemitas.

Mesmo tendo sido liberado pouco depois de entrar na delegacia, a grife Dior, que repudia este tipo de publicidade, afastou-o.

O incidente começou a crescer como uma bola de neve. Uma mulher garantiu que John Galliano a insultou neste mesmo café no dia 8 de outubro de 2010 e também apresentou uma denúncia.

Na época ela se recusou a entrar com uma ação porque considerou o episódio consequência do álcool, mas, à luz dos últimos acontecimentos, decidiu procurar a justiça.

O então diretor de artes da Dior teria ridicularizado o porte físico da mulher de 48 anos, antes de proferir em inglês insultos racistas.

O golpe final para Galliano foi a divulgação do vídeo, no dia 28 de fevereiro, na página da internet do jornal britânico The Sun, em que ele aparece insultando as pessoas sentadas na mesa ao lado.

No vídeo ele diz: "Amo Hitler (...) Gente como vocês estariam mortas. Suas mães, seus pais seriam postos na câmara de gás". A cena teria ocorrido no Le Parle no dia 12 de novembro de 2010.

"Este vídeo, em que ele mesmo se vê como um estranho, o deixaram chocado" e de fato "ele pediu desculpas", afirma o advogado.

Durante uma audiência no dia 12 de maio, várias associações antirracistas - A Liga contra o Racismo e o Antissemitismo, o Movimento contra o Racismo e pela Amizade entre os Povos e a União de Estudantes Judeus na França - se uniram numa ação civil em apoio às três vítimas, o casal e a mulher de 48 anos.

Os dois casos serão julgados juntos no dia 22 de junho a partir das 15h30 do horário local (10h30 em Brasília), na Sala 17 do Tribunal Penal de Paris.

John Galliano já anunciou que vai participar da audiência que contará com a cobertura de centenas de meios de comunicação internacionais.

Pelo menos duas jovens que estavam sentadas perto de Galliano na noite de 24 de fevereiro vão testemunhar a seu favor, porque, segundo elas, não houve insultos antissemitas.

Além delas, dois amigos italianos da mulher que teria sido insultada pelo estilista, no dia 8 de outubro, de 2010 foram citados pelo tribunal.

Para o advogado de John Galliano, estas testemunhas não eliminam as "dúvidas sobre o que foi dito". Quanto a seu cliente, "não se lembra de nada porque estava em estado alterado", mas está certo de que as palavras e insultos "não refletem de maneira alguma o seu pensamento. Ele não é nem antissemita nem racista", concluiu.

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