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Irmãos Dardenne aspiram terceira Palma de Ouro com drama familiar

15/05/2011 12h34

CANNES, França, 15 Mai 2011 (AFP) -Os diretores belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, vencedores da Palma de Ouro em Cannes em 1999 e 2005, apresentaram neste domingo "Le gamin au vélo" (O menino na bicicleta), o drama de Cyril, que busca o pai, que o abandonou e não deseja assumir a responsabilidade paterna.

O filme dos irmãos Dardenne, que participam pela quinta vez desde 1999 na mostra oficial de Cannes, é baseado na presença e atuação natural de Thomas Dorel, que interpreta Cyril, o menino de 11 anos que vive em um orfanato e tem o sonho de morar com o pai.

"O pai não era mais que uma ilusão para Cyril", disse Jean-Pierre Dardenne.

Ao perceber que o pai não o deseja, Cyril se revolta e abandona o orfanato em que vive. Na fuga se encontra con Samantha, uma jovem que trabalha em um salão de beleza, interpretada pela famosa atriz belga Cecile de France.

Samantha atua como fada madrinha e ajuda Cyril, que só tem como conforto andar de bicicleta em alta velocidade. Mas o menino esbarra em um homem com antecedentes penais que finge ajudá-lo, quando deseja apenas um cúmplice para um roubo.

"O menino na bicicleta é como um conto. Cyril é um pouco Pinóquio, um pouco Chapeuzinho Vermelho. Há um bosque, que é o lugar da tentação. E um homem mau. Cyril vai passar por testes que o farão perder suas ilusões, e uma fada vem salvá-lo", reconheceu Luc Dardenne.

"Cyril é um menino sem rumo que atravessa todas estas dificuldades. Samantha busca protegê-lo, mas ele não aceita que ela possa gostar dele, que deseja ajudá-lo a sair de sua revolta".

"Nossos filmes têm um olhar crítico sobre a sociedade atual, sobre a vida social de hoje, sobre as perguntas que fazemos: quem somos, para onde vamos. Também refletimos sobre a crise das relações sociais, a crise da família", acrescentou.

"Somos irmãos e as histórias de família nos interessam", explicou Jean-Pierre.

Os irmãos Dardenne conquistaram a primeira Palma de Ouro por "Rosetta", em 1999, e a segunda seis anos depois por "L'enfant" (A Criança). Em 2008 receberam o prêmio de roteiro por "O silêncio de Lorna".

O segundo filme exibido neste domingo na mostra oficial foi "The Artist", um longa-metragem mudo e filmado em preto e branco, dirigido pelo francês Michel Hazanavicius e protagonizado por Jean Dujardin.

A obra levou um sorriso ao Festival de Cannes, após vários filmes sobre violência familiar, pedofilia e prostituição.

O filme francês mostra duas estrelas dos anos 20 em Hollywood, quando o som chega à sétima arte, o que leva o popular ator ao esquecimento e lança ao estrelato uma jovem atriz, apaixonada pelo antigo ídolo.

O longa-metragem inteligente, repleto de humor e impregnado por um sentimento de solidariedade, foi o mais aplaudido até o momento entre os filmes da mostra oficial, iniciada na quinta-feira e dominada até então por obras que refletem a miséria humana.

Hazanavicius, que rodou o filme em Hollywood, joga com os códigos do formato para criar um filme onde a imagem e a emoção são destaque.

Questionado sobre o que o levou a dirigir um filme mudo e em preto e branco, em plena era do 3D, o diretor afirmou que tinha o desejo de "fazer um cinema puramente visual".

"O cinema mudo impõe aos espectadores uma maneira de ver o filme, impõe o melodrama", explicou o cineasta na entrevista coletiva, durante a qual manifestou admiração por diretores como Alfred Hitchock, Fritz Lang, Ernest Lubitch, King Vidor e Frank Borzage, que iniciaram suas carreiras no cinema mudo.

"The Artist" não havia sido selecionado, a princípio, para figurar na mostra oficial do festival e seria exibido apenas em sessão especial.

Mas poucos dias antes da abertura do festival, o diretor artístico da mostra, Thiery Frémaux, o incluiu na lista de 20 filmes que disputam a Palma de Ouro.

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