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"Kevin", tragédia de uma mãe que cria um assassino, estremece Cannes

12/05/2011 11h50

CANNES, França, 12 Mai 2011 (AFP) -O filme da britânica Lynne Ramsay "We need to talk about Kevin" (Precisamos falar sobre Kevin), que conta a história de Eva, mãe de um jovem americano que um dia cometerá um massacre em seu colégio, estremeceu nesta quinta-feira o Festival de Cinema de Cannes.

Baseado no bem-sucedido romance da escritora americana Lionel Shriver, "Precisamos falar sobre Kevin", publicado pela editora Intrínseca no Brasil, este filme explora a ambivalente relação entre Eva, que talvez não desejasse ser mãe, e seu filho Kevin, muito mimado e quem, ao que parece, nasceu com instintos ruins.

A história começa durante uma "tomatada" em algum lugar da Espanha, na época em que Eva - interpretada pela londrina Tilda Swinton, vencedora de um Oscar de melhor atriz coadjuvante em 2008 por seu papel no filme "Conduta de Risco" - é ainda uma escritora viajante, solteira e sem compromissos.

A partir desta "tomatada" violenta e sensual, a cor vermelha domina o filme e prefigura o sangue que será derramado por Kevin, interpretado pelo talentoso Ezra Miller, em seu colégio de Connecticut, poucos dias antes de completar 16 anos.

"Ficaria com muito medo de ser amigo de alguém como Kevin. O mal vive dentro das pessoas, devemos saber que somos capazes do bem e do mal", declarou Ezra Miller.

O roteiro, coescrito por Lynne Rampsay e seu companheiro, o músico Rory Stewart Kinnear, possui uma estrutura complexa, algo desarticulado como um pesadelo, apresentando a época anterior e posterior ao massacre cometido por Kevin, ato que o espectador não verá, como costuma ocorrer na tragédia grega, "onde se fala da violência, mas não se mostra".

"Todo o filme trata da culpa da mãe. É ela a culpada pela violência de seu filho? É uma história de família. Algo muito trágico. Um pesadelo", afirma a diretora.

"A cor vermelha domina desde o início porque eu vejo os filmes na minha cabeça, antes de escrever o roteiro, sou visual", declarou Lynne Ramsay, cujo curta-metragem de fim de estudos, "Small deaths", ganhou em 1996 o prêmio do júri em Cannes.

"Nosso filme não trata, como 'Elefante', de Gus Van Sant, do massacre em um colégio, e sim sobre uma família, sobre as relações entre mãe e filho", explicou, por sua vez, o roteirista Stewart Kinnear.

"Kevin cresce em uma família de classe média norte-americana. Tem tudo o que quer, mas ele acredita que não tem um lugar no mundo. É muito inteligente e pensa que seus pais interpretam o papel de pais, que estão atuando, que não são sinceros", disse, por sua vez, Tilda Swinton.

A atriz falou de sua maneira de encarnar o personagem de Eva, que se sente desconcertada e perdida desde o nascimento de Kevin, um menino muito chorão e depois autista, violento, grosseiro.

"Quando uma pessoa tem um filho se sente às vezes como se estivesse escrevendo uma carta que nunca enviará a ele. A vida se torna complicada. Uma mãe se sente às vezes isolada com seu bebê. É difícil ser mãe, sobretudo de uma criança como Kevin", acrescentou Tilda Swinton.

Lynne Ramsay insistiu que o que mais queria era mostrar a ambivalência da atitude de Eva diante de seu filho. "Ela não é uma mãe nem ruim nem boa. Interessava-me que o espectador visse todos os tons de cinza. No livro de Lionel Shriver, uma pessoa pode ler nas entrelinhas, isso é o que desejo também com minhas imagens", disse.

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