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Brasil presente no Festival de Cannes com surpreendente 'Trabalhar Cansa'

12/05/2011 16h35

CANNES, França, 12 Mai 2011 (AFP) -O Brasil está presente no 64º Festival de Cannes com o filme "Trabalhar Cansa", primeiro e surpreendente longa-metragem de Marco Dutra e Juliana Rojas, apresentado nesta quinta-feira na mostra "Um Certo Olhar", a segunda seção mais importante do maior festival do cinema mundial.

Os diretores, que já estiveram em Cannes em 2004 e 2007, com dois curtas-metragens, voltaram agora na mostra "Um Certo Olhar" com um filme que começa contando uma história do mundo do trabalho e se converte paulatinamente em uma história de terror, que deixou a sala sem fôlego.

Produzido por duas brasileiras, Sara Silveira e Maria Ionescu, o filme conta a história de Helena, uma mulher de classe média de São Paulo que realiza um velho sonho: o de abrir um pequeno mercado, e por isso aluga um local abandonado.

Esta conquista - que coincide, no entanto, com a perda do emprego de seu marido, o que fragiliza a família - dá passagem a uma história que mescla de maneira sutil o mundo do fantástico e do horror.

"Queríamos contar uma história que mostrasse a importância do poder econômico, e como o mundo do trabalho afeta o mundo pessoal", afirmaram os diretores em uma entrevista concedida à AFP em uma esplanada do Palácio dos Festivais, em frente ao mar Mediterrâneo, repleto de luxuosos iates.

"O horror foi se infiltrando pouco a pouco na história", disse Rojas, que acrescentou que ela e Marco Dutra, que trabalham juntos há dez anos, gostam muito do gênero de filmes de terror e de suspense, cujo maior expoente é Alfred Hitchcock.

Os jovens diretores - cujo curta-metragem "Um Ramo" ganhou há quatro anos em Cannes o prêmio do Júri, na sessão da Semana da Crítica - também expressaram sua admiração pelo escritor americano Edgar Allan Poe, mestre da literatura de terror, e também pelos autores argentinos Jorge Luis Borges, Bioy Casares e Julio Cortázar.

Mas Rojas e Dutra advertiram que o que interessa não é o gênero em si, mas como "se infiltra" em outros aspectos da vida, como o do emprego e da desocupação.

Os cineastas, que se conheceram na Universidade e desde então trabalharam sempre juntos, advertiram, no entanto, que não querem aplicar os clichês do cinema de horror, mas sim explorar melhor a relação entre o protagonista e suas próprias caraterísticas de personalidade mórbida.

"O que nos interessa é de que maneira um gênero como o fantástico, o do horror, pode ser utilizado como filtro para discutir, iluminar outros temas", disse Dutra.

Do Brasil apresentam-se nesta edição do Festival, que termina no dia 22 de maio, o curta-metragem "Duelo Antes da Noite", de Alice Furtado, que será apresentado na sessão Cinéfoundation, dedicada a produções universitárias.

Entre os 14 filmes selecionados para "Um Certo Olhar", cujo prêmio será anunciado no dia 22 de maio, figuram também "Bonsai", de Cristián Jiménez (Chile), "Miss Bala", de Gerardo Naranjo (México), "Restless", de Gus Van Sant (EUA), "The Hunter", de Bakur Bakuradze (Rússia) e "Arirang", de Kim Ki-duk (Coreia do Sul).

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