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Jornalista Lara Logan conta agressão sexual sofrida na Praça Tahrir

28/04/2011 17h31

NOVA YORK, 28 Abr 2011 (AFP) -Uma das principais correspondentes estrangeiras da rede CBS, Lara Logan, contou ao New York Times a agressão sexual de que foi vítima no Cairo no dia 11 de fevereiro, em uma entrevista divulgada nesta quinta-feira.

"Durante muito tempo, eles me violentaram com suas mãos", declarou ao jornal a jornalista, estimando que a agressão durou quarenta minutos e a foi praticada por um grupo de duzentos a trezentos homens.

Lara Logan, que foi hospitalizada após a sua chegada aos Estados Unidos e retomou o trabalho este mês, vai contar os momentos de horror na próxima edição do programa "60 minutes", no domingo.

Ela estava na Praça Tahrir, centro da onda de contestação que causou a queda do regime de Hosni Mubarak, realizando uma reportagem, quando o clima em torno dela subitamente mudou, disse ao NYT.

"Houve um momento em que tudo começou a ficar ruim", lembrou. Os colegas egípcios que acompanhavam a equipe de reportagem ouviram homens falando de sua vontade de despi-la, de acordo com o jornal.

Logo depois, ela foi bruscamente separada de seus colegas e de seu segurança por um grupo de homens que rasgaram sua roupa e começaram a tocá-la e a agredi-la, acrescenta o jornal. "Para o produtor Max McClellan, ver o segurança de Lara emergir do grupo sem ela foi o pior momento", declarou o presidente da CBS Jeff Fager.

O drama que Lara Logan viveu no Cairo serviu de alerta para o silêncio em torno dos abusos sexuais sofridos pelas jornalistas que realizam reportagens. "Temos apenas a nossa palavra", ressaltou Lara Logan. "Os ferimentos físicos cicatrizam. Não exibimos provas, como acontece com alguém que perdeu uma perna ou um braço no Afeganistão", acrescentou.

Para o presidente da CBS, Jeff Fager, existe "uma lei do silêncio que é do interesse de Lara e do nosso interesse quebrar".