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Boicotes a jornais do grupo Clarín multiplicam-se na Argentina

04/04/2011 21h06

BUENOS AIRES, 4 Abr 2011 (AFP) -Os boicotes a jornais multiplicaram-se na Argentina, em um cenário de confrontação cada vez mais aguda entre o governo e o grupo Clarín, a maior empresa de comunicação do país sul-americano.

Uma organização sindical bloqueou no domingo a distribuição dos jornais La Voz del Interior e Día de Córdoba (centro), o segundo distrito mais povoado do país, uma semana depois de outro piquete sindical obstruir a circulação dos dois principais jornais, Clarín e La Nación.

Clarín e La Nación são parceiros na empresa proprietária do La Voz del Interior e Día a Día, os maiores jornais de Córdoba, onde o Grupo de Entidades Empresariais (GEE) expressou sua enérgica rejeição a atos que "prejudicam os direitos dos cidadãos e a livre circulação de informação".

Os bloqueios despertaram uma onda de condenações de entidades jornalísticas e personalidades, e inclusive uma resolução do Senado foi votada por unanimidade, repudiando "qualquer método de protesto que afete a livre circulação dos meios de comunicação".

"A banalização dos boicotes como medida de protesto (...) tem como consequência a generalização dessa prática que atenta contra a liberdade de expressão e a circulação da imprensa escrita", disse a deputada Silvana Giúdici em uma declaração à AFP por e-mail.

Giúdici (União Cívica Radial, oposição social-democrata), presidente da Comissão de Liberdade de Expressão da câmara baixa, atribuiu a responsabilidade ao governo da presidente Cristina Kirchner.

"O governo, por um lado, envia seu chanceler (Héctor Timerman) ao bloqueio de 13 de dezembro do ano passado (também contra o Clarín) e, por outro, ordena à sua ministra de Segurança (Nilda Garré) não obedecer à Justiça (diante do piquete de 27 de março)", afirmou a legisladora.

Timerman expressou sua solidariedade aos sindicalistas em um boicote realizado no ano passado, enquanto Garré negou ter descumprido a ordem judicial de levantar o bloqueio.

O governo disse estar à margem do boicote ao Clarín e ao jornal La Nación, cuja distribuição também foi obstruída em 27 de março, mas Kirchner sustenta uma dura confrontação com os veículos desde que assumiu, em 2007.

O confronto do governo com o Clarín teve uma escalada em 2010, quando a licença da empresa de internet Fibertel foi cancelada, apesar de continuar oferecendo serviços a 1 milhão de usuários por conta de uma liminar.

Um ano antes, Kirchner tinha tirado do grupo a licença exclusiva de transmissão de partidas do futebol argentino, transferindo as transmissões para a emissora pública.

Além disso, organizações humanitárias apoiadas pelo governo iniciaram uma investigação judicial contra a diretora do jornal, Ernestina de Noble, sob a suspeita de que seus filhos adotivos seriam menores apropriados de famílias de desaparecidos na ditadura (1976-1983).

"Quando não há uma resposta contundente do poder político a fatos graves, como ocorreu com o Clarín e o La Nación, é um incentivo para que outros tomem essa metodologia como válida. O kirchnerismo valida situações fora da lei", disse à imprensa Eduardo Mondino, ex-Defensor do Povo (ombudsman).

A Associação de Entidades Jornalísticas Argentina (Adepa), que reúne proprietários de veículos impressos, disse em uma declaração que "impedir ou perturbar a circulação de um jornal é um crime do Código Penal".

"A liberdade de imprensa - completou Adepa - é imprescindível para o funcionamento de uma democracia".

Os boicotes ao Clarín foram organizados por sindicalistas da empresa, com suposto apoio de apoiadores do governo, enquanto em Córdoba foram promovidos por vendedores de rua, com o argumento de que os jornais estavam demorando para ser distribuídos.

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